A Cidade do Conhecimento,
projeto do Instituto de Estudos Avançados da USP, cresce e se
expande. Desde dezembro, o canteiro de obras reuniu
colaboradores de várias unidades e projetos da Universidade e
da sociedade civil. A Cidade surge para abrir o patrimônio físico
e intelectual da USP a toda sociedade, englobando estudantes e
trabalhadores, ativos e aposentados, todos organizados em rede.
Mais que isso, surge para estimular o intercâmbio entre as
diversas áreas do conhecimento e criar canais de comunicação
que permitam à Universidade articular sua atuação com os
interesses da sociedade.
O
resultado está aí: iniciamos 2002 com novo fôlego e
projetos que, integrados entre si, atendem à missão da
Cidade que é criar redes de aprendizado permanente e produção
cooperativa de conhecimento mediadas por tecnologias de
informação e comunicação.
O
programa Educar na Sociedade da Informação tem neste ano 12
módulos, todos coordenados por professores doutores (e em sua
maioria docentes) da USP. Outro projeto de capacitação é o
Gestão de Mídias Digitais, com foco em lideranças comunitárias.
As Oficinas de Design Social, que aproximam alunos de pós-graduação
dessas lideranças, vão desenvolver soluções originais para
problemas sociais a partir das demandas apresentadas pelas próprias
comunidades carentes, inclusive empresas voltadas para esse
mesmo enfoque (o compromisso social da ciência, da tecnologia
e da cultura).
Também
entram em cena os projetos cooperativos de formação de redes
e comunidades de prática. O Dicionário do Trabalho Vivo (sob
o patrocínio da SERT, Secretaria de Emprego e Relações do
Trabalho do governo estadual), o Ética na Prática (projetos
temáticos sobre ética na sociedade da informação), e o
Meninas Cientistas (estudantes e trabalhadoras explorando o
mundo feminino em ciência e tecnologia, rede associada à Cátedra
Regional Unesco sobre Mulher, Ciência e Tecnologia na América
Latina) reunirão estudantes de ensino médio, graduação e pós
e trabalhadores para pensar e fortalecer a organização da
sociedade em redes inteligentes.
O
fôlego para avançar na construção da Cidade do
Conhecimento vem sobretudo dos recursos empenhados ainda no
ano passado pela SERT, R$ 350 mil comprometidos na gestão do
ex-secretário Walter Barelli. Os programas de capacitação e
de formação de redes também buscam recursos no setor público,
no setor privado e no terceiro setor. A construção de um
modelo sustentável de financiamento para a Cidade é uma
dimensão crucial do seu desenvolvimento. Além da participação
de empresas, escolas e outras organizações, esse modelo
conta com o interesse do Estado (governos federal, estaduais e
municipais) para se consolidar.
No
entanto, não há dinheiro no mundo capaz de substituir a
mobilização de indivíduos e organizações. Os recursos,
necessários, são insuficientes se a comunidade da USP não
se mobilizar para essa construção.
É
o que vem ocorrendo desde o ano passado, quando o projeto
reuniu apoios da reitoria, do CCE, CCS, CECAE, do Congresso da
USP, de centros acadêmicos e professores de várias unidades,
núcleos e laboratórios. A Cidade torna-se antes de tudo uma
nova rede entre os que integram a comunidade USP. Em 2002, a
rede amplia-se significativamente com a presença de laboratórios
da POLI como o LARC e o LSI, da ECA, da FEA e do IPT. O diálogo
com as pró-reitorias também avançou muito, a partir do
compromisso assumido pelo novo reitor com a agenda da Cidade.
Não há precedentes, na história da Universidade, de uma
rede cooperativa tão ampla.