MotoAnjos é destaque no Ação


O programa da TV Globo “Ação“, comandado por Serginho Groisman, mostrou na edição do dia 3 de dezembro as iniciativas de instituições e voluntários para humanizar as relações, reduzir os acidentes e as mortes diárias no trânsito. O projeto MotoAnjos, desenvolvido pelo programa “Gestão de Mídias Audiovisuais para o Desenvolvimento Local – GeMA” da Cidade do Conhecimento, foi um dos destaques.

Em reportagem de Julia Bandeira, as imagens captadas por Luiz Fernando Bicchioni, profissional motofretista, foram ao ar na maior rede de TV do país. Após instalar uma câmera no capacete, Bicchioni alimenta um novo blog e mobiliza uma nova rede social para ampliar as oportunidades de capacitação nesse mercado.

A reportagem está disponível no blog do programa Ação.

MotoAnjos nas ruas de S.Paulo


Cleiton Capelossi, do Laboratório de Sistemas Integráveis (LSI-POLI), discute tecnologia e mobilidade (Motofestival, 2009).

Desenvolvido por motoboys no programa de cultura e extensão “Gestão de Mídias Audiovisuais para o Desenvolvimento Local – GeMA” entre 2008 e 2010, o projeto MotoAnjos vai para as ruas a partir de setembro, liderado por Luiz Fernando Bicchioni, profissional do motofrete que recebeu do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento uma câmera de vídeo em alta definição para instalar no capacete.

“Uma câmera na cabeça e uma ideia nas ruas – assim adaptamos a célebre chamada do cinema novo para alinhar o projeto de produção audiovisual colaborativa por motoboys aos objetivos de produção cultural e extensão da Cidade do Conhecimento”, pontua o coordenador do grupo de pesquisa e professor do Departamento de Cinema, Rádio e TV da ECA, Gilson Schwartz. O primeiro vídeo produzido pelo projeto será apresentado no programa “Telosvisão”, pela IPTV Experimental da USP, no próximo dia 1 de setembro, como parte das atividades em sala de aula do curso “Introdução à Iconomia”.

Bicchioni tem participado ativamente de iniciativas criadas no GeMA, como a formação de profissionais motofretistas para o empreendedorismo, a colaboração na criação de um roteiro de longa-metragem e, agora, o lançamento público de uma rede social com foco em trânsito e cidadania. Em março, no evento “Moedas Criativas”, Bicchioni participou ao lado de Emerson Fittipaldi de um debate sobre o futuro das cidades. “Somos odiados e amados ao mesmo tempo, somos essenciais na hora da pizza ou da entrega do documento, mas desprezados na entrada dos edifícios ou nos corredores por onde colocamos nossas vidas em risco”, afirma Bicchioni.

O projeto MotoAnjos capacitará 100 motoboys ao longo de um ano para atuar como promotores da cidadania e produtores culturais. Na próxima edição do programa “Telosvisão”, Bicchioni e outros participantes do projeto virão à USP para dar detalhes do projeto, que levará também semanalmente ao ar imagens produzidas com uma câmera de alta definição instalada no capacete. “As imagens teem uma vocação para o telejornalismo, porém são também um exercício para construir narrativas que poderão reaparecer em projetos de ficção ou ainda integrar a base de imagens para documentários realizados pelos próprios motoboys”, completa Schwartz. Os motoboys serão selecionados ao longo do segundo semestre e receberão bolsas da Prefeitura Municipal de São Paulo.

O programa Telosvisão é transmitido todas as quintas-feiras, a partir das 19 horas, pelo  IPTV/USP.

Iconomia

Em 2008, foi criada uma disciplina de graduação na USP que propõe reflexões e debates com base nos resultados da Cidade do Conhecimento: a “Introdução à Iconomia” promove a convergência da engenharia, da economia e dos negócios com as novas formas de produção de conteúdo digital na sociedade contemporânea.
Ao realizar um programa de IPTV em sala de aula, o curso faz a ponte entre ensino, pesquisa, cultura e extensão. O programa se divide em cinco pequenos blocos, de três a quatro minutos. Outros projetos com notícias semanais são o “PRO-IDEAL”, rede de apoio a pesquisa, desenvolvimento e inovação em tecnologias de informação e comunicação, financiada pela União Europeia, o “Moedas Criativas”, iniciativa da Cidade do Conhecimento, que gera oportunidades para novos projetos e “terceir@idade”, projeto de inclusão digital de idosos com financiamento do CNPq e associado à Universidade Aberta à Terceira Idade da USP.
Na edição da próxima semana serão apresentadas também imagens e depoimentos colhidos no evento de lançamento da rede “Games for Change“, uma iniciativa global que utiliza a linguagem dos jogos para ações sociais em diferentes áreas.
Serviço
Horário: Toda quinta-feira, das 19h às 20h
Local: site da IPTV USP

Projeto terceir@idade: oficinas em Piracaia, curso na USP


No CTR: Tamara Katzenstein e alunos da USP Aberta à Terceira Idade (março/2011)

O projeto terceir@idade começou no dia 25 de abril no Lar São Vicente de Paulo, em Piracaia, um projeto de pesquisa e extensão com ciclo de oficinas e atendimento a idosos patrocinado pelo CNPq. A iniciativa integra a Rede de Extensão para Inclusão Digital (REID).

As ações voltadas para a terceira idade também incluem o oferecimento de uma disciplina no programa USP Aberta à Terceira Idade assim como uma parceria com a Escola de Aplicação da USP, onde um bolsista de pré-iniciação científica poderá participar dos trabalhos de campo, análises e intervenções tanto em Piracaia quanto na USP.

“A Cidade do Conhecimento cumpre assim um de seus mais importantes objetivos, que é a conexão entre a USP e entidades da sociedade civil. A atenção à terceira idade é também uma oportunidade para bolsistas no programa Aprender com Cultura e Extensão e inaugura uma parceria entre o nosso grupo de pesquisa e o Curso de Terapia Ocupacional da Faculdade de Medicina da USP”, observa o coordenador do grupo de pesquisa, Gilson Schwartz.

Participam da equipe de colaboradores do projeto as doutorandas do Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, Tamara Katzenstein e Sônia Paschoal. A Profa. Dra. Maria Helena Morgani de Almeida, da Faculdade de Medicina e consultora do projeto, alerta para estudos que “identificam práticas de autocuidado adotadas por idosos e/ou cuidadores para minimizar ou corrigir déficits e até mesmo ampliar a prática de atividades cotidianas. Mudanças comportamentais, ambientais e uso de dispositivos auxiliares como novas mídias e tecnologias de informação e comunicação incluem-se nessas práticas e são reforçadas pelo terapeuta ocupacional”.

Os alunos da Escola de Aplicação da Faculdade de Educação da USP interessados em participar como bolsistas podem fazer suas inscrições a partir de agosto.

MinC define cidadania e educação como âncoras da política cultural


Por Tamara V. Katzenstein (*)

O Ministério da Cultura realizou na quinta-feira (14), na FUNARTE em São Paulo, a terceira edição dos Encontros Rumo à Cidadania Cultural. A reunião teve como objetivo apresentar propostas e, em conjunto com a sociedade, refletir sobre os novos caminhos para as políticas públicas no campo da cidadania e da diversidade cultural.

Dentre os assuntos pontuados por Marta Porto, (indicada para assumir a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural – em processo de criação), destaca-se a importância da educação e da cidadania cultural como âncoras das novas políticas do Ministério.

Sua preocupação não é só a inclusão, mas colocar em primeiro plano a lógica dos que não sabem fazer demandas e de quem ainda não produz. Isso significa que ela se preocupa em fazer a ponte com o tão diagnosticada fenda entre a cultura e a educação, requisito para discutir em que direção queremos caminhar. Visa processos de intercâmbio, colaboração, cooperação (inclusive internacional), promover conexões, consolidando nossas matrizes culturais.

Alguns tópicos no alto da lista de prioridades de Marta Porto:

- A consolidação de processos educativos, mapeando em primeiro lugar o “Setor educativo” dos Museus brasileiros, para promover o desenvolvimento de crianças e adolescentes no campo da cultura.

- O que mestre indígenas e griôs teem a nos ensinar e o que os pontos de cultura teem a nos dizer.

- Consolidar o senso de justiça, não só apoiando projetos, mas consolidado políticas.

- Preocupação com os altíssimos índices de violência doméstica, mortes por armas de fogo e mortes no trânsito: o que a cultura pode fazer disputando o imaginário, para conseguir re-inventar esse país.

- Preocupação com a infância, a juventude, as mulheres e as diversidades.

- Percorrendo os caminhos da diversidade, ela está procurando micro-territórios a serem definidos, sempre mostrando uma preocupação em estar realmente próxima do cidadão e não só com as instituições.

E por fim, o arremate com sua visão da área das práticas digitais: fazer com que o conhecimento circule para fazer valer a cidadania, estabelecendo pontes e diálogo num horizonte de convergências.

Encontros pelo país

Os encontros começaram em Belo Horizonte (MG) no dia 7 de abril, seguido pelo de Salvador (BA) e São Paulo (SP), depois pega carona no Encontro Nacional de Mestres e Griôs que acontece no Rio de Janeiro (RJ).

O ciclo de encontros para discutir as políticas de cidadania e diversidade cultural chega a um termo na região Sulcom dois encontros: Florianópolis (SC), no dia 19, e Porto Alegre (RS) no dia 20 de abril.

Acompanhe a cobertura dos encontros pelos perfis de Twitter @culturaviva e @culturagovbr.

(*) Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, CTR-ECA-USP.

Moeda é Mídia


A crise econômica internacional é uma crise de ícones, a começar do ícone maior do sistema econômico global: a moeda. Do euro que derrete ao dólar que estremece, o terremoto financeiro põe a nu as engrenagens da própria representação da riqueza. A cultura, a arte, o mecenato, as leis de incentivo, a economia feita de capitais humanos, sociais e simbólicos não passa ao largo. E se além de vítima da crise, o mundo da representação tivesse em si a semente da reconstrução de uma sociedade global mais harmônica, íntegra e sustentável?

Essa agenda de pesquisa-ação surgiu em 2003, foi premiada com o “Development Gateway Award” em 2006 e pelo Ministério da Cultura em 2009 com o “Prêmio Interações Estéticas” e em 2010 com o “Prêmio Cultura e Pensamento”. Em 2011, o projeto avança com o patrocínio do BNDES e da Mozilla, em parceria com o Consórcio PRO-IDEAL da União Européia, a Fundação de Apoio à USP (FUSP) e a Associação de Apoio a Arte e Comunicação (ARCO).

Saiba mais sobre o projeto na entrevista concedida por Gilson Schwartz a Renata Lemos-Morais na nova revista eletrônica “Continent” (em inglês) e no blog do projeto na plataforma “Cultura Digital” mantida pelo Ministério da Cultura e pela Rede Nacional de Pesquisa (RNP).

Desenvolvimento: teoria, prática, história


Esse é o tema da Aula Magna de Henrique Rattner na Cidade do Conhecimento em 2010. Henrique Rattner é licenciado em Ciências Sociais, com mestrado em Sociologia, doutorado em Economia na Universidade de São Paulo e Pós-doutorado em Planejamento Urbano e Regional pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts – M.I.T – EUA. Foi diretor nacional do programa “Leadership for Enviromment and Development – LEAD” da Universidade de São Paulo e coordenador do Núcleo de Pesquisa em Economia, Sociedade e Meio Ambiente – NAMA. É professor titular aposentado da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas, coordenador de pesquisas e consultor de instituições nacionais (CNPq, FINEP, MCT, SEPLAN-SP, SENAI, SEBRAE) e internacionais (Organização Panamericana de Saúde, Organização Internacional do Trabalho – OIT, Universidade das Nações Unidas – UNU, UNESCO, Banco Mundial). Publicou cerca de 20 livros e mais de 100 artigos em revistas e jornais, nas áreas de política científica e tecnológica, economia e meio ambiente.

*

O conceito de desenvolvimento tem sido, não raramente, confundido com o de crescimento econômico, o que levou à hegemonia dos economistas na formulação de teorias e diretrizes sobre esses processos sócio-culturais. Nas primeiras décadas do período pós-segunda guerra mundial, abundaram as receitas sobre a “formação de capital” (Ragnar Nurkse); “As etapas de desenvolvimento” (W. Rostow) e o famoso “trickle–down effect” – o efeito de filtragem e outros, de vários autores que procuravam orientar as políticas governamentais de desenvolvimento.

Os resultados, em termos de desenvolvimento, foram decepcionantes: as riquezas geradas pelos investimentos foram acumuladas por uma minoria, levando a uma concentração perversa das riquezas por um lado, e de pobreza e miséria por outro, tanto em nível interno dos países quanto em escala global, dividindo o mundo entre uma minoria rica vivendo na opulência e uma maioria carente do mínimo para a subsistência.

A percepção e o equacionamento do problema mudaram radicalmente com a publicação do seminal Relatório ao Clube de Roma, elaborado sob a orientação do professor Jay Forrester do MIT e intitulado “Os limites do Crescimento”. Os autores partiram de uma visão sistêmica e interdisciplinar, cruzando as variáveis População – Alimentos – Terra e Fertilizantes Químicos – Produção Industrial – Energia como causas de poluição ambiental crescente, chegando à conclusão da imperiosidade de se estabelecer limites ao crescimento econômico. O estudo do grupo do MIT desencadeou uma onda de manifestações, geralmente pessimistas, sobre o futuro do planeta, assim como propostas de como salvar a humanidade.

Significativo a este respeito foi o Relatório Brundtland – “Nosso Futuro Comum”, de 1987, que abriu o caminho para a CNUMAD – Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada em 1992, no Rio de Janeiro.

A partir da Conferência do Rio, o discurso, e até certo ponto, a prática evoluíram do enfoque ecologista para o social e político, particularmente com a formulação da Agenda 21, que pretendia fixar metas quantitativas para as áreas de saúde, educação, saneamento e moradia, em nível local e nacional. É verdade, foram poucos os municípios e estados que se empenharam em cumprir as metas da Agenda 21, o que seria um passo em direção ao desenvolvimento sustentável, superando o enfoque estreito e reducionista dos economistas e dos ecólogos.

Apesar das resoluções do Protocolo de Kyoto, em 1997, e de Montreal, de 1987, sobre a redução das emissões de gases CFC, as negociações sobre a redução das emissões de gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global terrestre, estancaram com a recusa dos EUA, da China e da Austrália, os maiores poluidores por carvão e petróleo, de assumir qualquer compromisso de redução, no que foram seguidos por outros governos.

Assim, as conferências mundiais sobre meio ambiente de Johanesburgo em 2002 e de Copenhague em 2009 fracassaram na tentativa de estabelecer um acordo global, adiado para a próxima conferência, planejada para o México, em 2010.

Nos anos de 1990, surgiu a obra de Amartya Sen, prêmio Nobel de Economia, intitulada “Desenvolvimento como Liberdade”, ou seja, segundo o autor, a ampliação da capacidade dos indivíduos terem opções, fazerem escolhas. Relativizando a importância dos fatores materiais e dos indicadores econômicos, Sen insiste na ampliação do horizonte social e cultural na vida das pessoas. A base material do desenvolvimento é fundamental, mas deve ser considerada como um meio e não como um fim em si.

O desafio para a sociedade é formular políticas que permitam, além do crescimento da economia, a distribuição mais equitativa da renda e o pleno funcionamento da democracia. Os índices de desenvolvimento humano calculados nesses últimos anos pelo PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – revelam, além da capacidade produtiva, a confiança das pessoas uns nos outros e no futuro da sociedade.

Ao postular a melhora da qualidade de vida em comum, destacam-se as possibilidades das pessoas levarem adiante iniciativas e inovações que lhes permitam concretizar seu potencial criativo e contribuir efetivamente para a vida coletiva. Seguindo esse raciocínio, Sen resume suas idéias sobre o desenvolvimento como as possibilidades de “poder contar com a ajuda dos amigos”, ou seja, a cooperação e a solidariedade entre os membros da sociedade que constrói seu capital social.

Para Sen, os valores éticos dos empresários e dos governantes constituem parte relevante dos recursos produtivos, por orientar seus investimentos, em vez de para a especulação, para inovações tecnológicas que contribuem para a inclusão social. Quanto maior o capital social – a rede de relações sociais e o grau de confiança mútua, menor a corrupção e a sonegação de impostos, e maiores os incentivos para criar programas e projetos que favoreçam a igualdade e equidade, e que estimulem melhores serviços públicos de educação e saúde, que impulsionariam o crescimento econômico e possibilitariam a governabilidade democrática.

São inúmeros os projetos de “desenvolvimento” lançados e executados pela iniciativa privada ou pelo poder público, às vezes até em um tipo de “joint venture” – a parceria público-privada (PPP), que deveriam aliviar o peso da pobreza e da exclusão social. Um dos projetos mais divulgados e louvados, nos anos 60 do século passado, foi a chamada “revolução verde”, concebida por Norman Borlaugh – prêmio Nobel – que transformaria a agricultura de subsistência, sobre tudo na Índia e nos países asiáticos. Sementes selecionadas, emprego maciço de fertilizantes químicos e de agrotóxicos, e sistemas de irrigação iriam multiplicar as colheitas, aumentar a produtividade da terra e do agricultor, produzindo alimentos para todos.

Decorrido meio século desde a revolução verde, verifica-se que os pequenos lavradores e os trabalhadores rurais ficaram mais empobrecidos, perderam suas glebas e migraram para as cidades, engrossando o exército dos desabrigados e desempregados, enquanto prosseguia o processo de concentração de terras e de capital. Algo semelhante ocorreu recentemente com a invasão dos canaviais e do plantio da soja em áreas de agricultura familiar e tradicional. O agronegócio está invadindo enormes áreas no sul, sudeste e centro-oeste do país, com a mecanização da agricultura, transformando a paisagem geográfica e ameaçando os biomas da caatinga, do agreste, do cerrado e da floresta amazônica. Novamente, os pequenos lavradores estão sendo expulsos de suas terras por não poderem arcar com os custos dos equipamentos, sementes, frequentemente geneticamente modificadas, e das instalações de irrigação, sem falar dos custos elevados de armazenamento e de transporte.

Outro projeto merecedor de menção nesse contexto foi o plantio de algodão na ex–União Soviética, na região do lago Aral. Antes da implantação do projeto havia um paraíso ecológico à semelhança de nosso Pantanal; o projeto lançado pelo governo Krushev conseguiu drenar as águas do lago, expulsar a riquíssima fauna e destruir a flora natural. Os erros foram descobertos tarde demais e os danos ambientais a uma das regiões mais ricas e bonitas do país foram irreversíveis.

Seria um bom exercício pesquisar os projetos de “desenvolvimento” elaborados e executados sem o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental / Relatório de Impacto no Meio Ambiente), cujos impactos negativos foram socializados e os lucros, privatizados. Esses e outros tantos projetos fracassados nos levam a proclamar e reivindicar a adoção de critérios éticos na equação da sustentabilidade de projetos, sejam eles privados ou públicos. O princípio da precaução e a máxima de não causar mal aos seres humanos e ao ambiente devem figurar em qualquer projeto. Por isso, na elaboração, execução e avaliação de projetos de desenvolvimento, é imprescindível a presença de equipes interdisciplinares, capazes de formular e aplicar uma visão sistêmica, em oposição à linear, cartesiana.

Desenvolvimento – a luz vem do oriente?

Após o abalo e a maior recessão econômica sofrida nas últimas décadas, a economia mundial está tateando para reencontrar seu equilíbrio e iniciar o caminho de recuperação. Todavia, como evidenciam os dados estatísticos de alguns países europeus – os PIGS – Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha – sem falar dos países, bálticos, a crise financeira continua a pleno vapor e seus impactos são sentidos em todas as atividades econômicas, na indústria, no comércio e na agricultura, com níveis de desemprego altíssimos.

Nos países antes considerados “ricos”, o progresso relativo no combate à pobreza e ao subdesenvolvimento conseguido nas últimas décadas do século vinte, foi apagado pelo aumento das taxas de desemprego que superam os 10% da força de trabalho e dos preços de alimentos. Filas de pessoas em busca de um prato de comida passaram a fazer parte da rotina, mesmo nos Estados Unidos.

O fracasso das políticas tradicionais de desenvolvimento por meio de macro investimentos em infra-estrutura mostra as hesitações do capital privado diante a incerteza e os riscos dos mercados, enquanto os recursos do poder público se mostram insuficientes para reanimar os investimentos e as atividades produtivas.

Neste contexto, um caminho alternativo, sobretudo para os mais carentes e excluídos, surge de uma experiência positiva de “desenvolvimento”, num dos países mais pobres do mundo, o Bangladesh.

BRAC – Bangladesh Rehabilitation Assistance Committee, fundado em 1972 por Fazle Hasan Abed, um homem de negócios de Bangladesh, é incomparavelmente a maior e a mais rapidamente se expandindo organização não governamental do mundo. Embora Muhammad Yunus, outro bangladeshi, foi ganhador do prêmio Nobel da Paz, em 2006, por sua ajuda aos pobres, seu Banco Grameen não foi a primeira e nem a maior instituição de micro financiamento no Bangladesh.

BRAC é a maior – suas operações de micro financiamento envolvem um bilhão de US$ por ano. Além disso, ela mantém um serviço de internet, uma universidade e, em suas escolas primárias estudam 11% das crianças de Bangladesh. Suas atividades econômicas incluem a administração de uma fábrica de ração animal, avicultura, plantações de chá e empresas de embalagens. BRAC demonstra que ONGs não precisam ser pequenas e mesmo instituições pequenas de países pobres podem superar instituições filantrópicas ocidentais, operando com grande volume de recursos. Diferentes autores consideram BRAC o maior e o mais diversificado experimento social do mundo em desenvolvimento.

A difusão de seu trabalho supera em seus impactos sobre o desenvolvimento outros empreendimentos governamentais, privados e de ONGs, sem fins lucrativos. Empregando com suas operações mais de 100.000 pessoas, predominantemente mulheres, BRAC assiste com suas atividades a 110 milhões de pessoas, beneficiadas por uma vasta gama de programas de desenvolvimento econômico e social, nas áreas de saúde, educação, direitos humanos e serviços legais.

Tudo começou depois de um tufão ter levado inúmeros refugiados ao escritório de Fazle Abed, levando o a criar a Comissão de Rehabilitação Assistencial, combinando dois fatores dificilmente conciliáveis: administrar uma ONG como se fosse uma empresa e levando a sério o contexto da pobreza.

BRAC aufere 80% de seus recursos de suas operações e o resto é proveniente de doadores, principalmente ocidentais. Atividades que exigem subsídios constantes são abandonadas. Desde o começo, Fazle Abed insiste em honestidade absoluta na divulgação dos resultados. BRAC presta bem mais atenção à pesquisa e “aprendizagem contínua” do que a maioria das ONGs.

O que torna BRAC única e especial em seu gênero é sua combinação de fazer negócios e sua visão da pobreza. Esta é geralmente considerada como um problema econômico que pode ser aliviado pelo envio de dinheiro. Influenciado por três pensadores do movimento de “libertação”, muito acatados nos anos sessenta do século passado, Frantz Fanon, Paulo Freire e Ivan Illich, o fundador de BRAC admite que a pobreza nos vilarejos de Bangladesh seja o resultado de uma rígida estratificação social.

Nessas circunstâncias, “desenvolvimento comunitário” irá ajudar mais os ricos do que os pobres e por isso, para eliminar a pobreza, deve se mudar a sociedade.

Esta visão levou o fundador do BRAC para o caminho do desenvolvimento. Mulheres se tornaram o foco da instituição por que elas estão na base da sociedade e as mais necessitadas de ajuda. 70% das crianças nas escolas do BRAC são meninas. Operações de micro financiamento ajudam os pobres a poupar, mas, diferentemente do Grameen Bank. BRAC empresta bastante a pequenas empresas. Pequenos empréstimos podem melhorar significativamente a situação de um indivíduo ou de uma família, mas freqüentemente são investidos em empreendimentos rurais tradicionais, tais como a aquisição de uma vaca leiteira ou de ovelhas.

A ideologia do BRAC com referência à mudança social exige não o crescimento (no sentido de mais do mesmo), mas o desenvolvimento de atividades novas e diferentes, criando empregos e novas formas de empreendimentos produtivos.

Após trinta anos de atuação no Bangladesh, BRAC difundiu e aperfeiçoou suas atividades e está expandindo seu raio de ação para outros países em desenvolvimento. Alcançou a posição de maior ONG no Afeganistão, Tanzânia, Uganda e entra no Sri Lanka, Sul do Sudão, Libéria, Sierra Leone e Paquistão, superando de longe as organizações de caridade ocidentais, britânicas e americanas que atuam nesses países há várias décadas. Segundo David Corten, autor de “Quando as corporações governam o mundo”, “BRAC está mais próxima de uma organização de aprendizagem que possa existir”.

Vindo de um país pobre e islâmico significa que enfrenta menos resistência do que as organizações ocidentais. Seus custos de operação são significativamente mais baixos e seus funcionários não circulam em peruas com motores potentes.

Sua expansão além mar pode representar novos problemas para BRAC. As ONGs estabelecem freqüentemente uma ligação no vazio criado entre os governos, distantes e corruptos, e os milhares de vilarejos, dispersos na área rural. BRAC conseguiu isto no Bangladesh, sendo uma organização nativa. Será que conseguirá o mesmo resultado em outros países?

Hibridismos do Mentoring Digital


big_eye1Thais Barros (1)

A cultura digital contemporânea convida à análise do fenômeno “redes sociais”, entre as quais ganham relevo as práticas de mentoring que se desenvolvem por meios e processos audiovisuais.

Processos de mentoring – conceito que também se aproxima e dialoga com o de coaching – criam estruturas e dinâmicas que possibilitam e facilitam a interação e troca de experiências e visões entre pessoas a partir de realidades diversas.

Costumam ser implantados em empresas visando o aprimoramento de seus profissionais, especialmente aqueles que ocupam posições mais estratégicas ou são identificados como talentos dentro da organização.

Também no ambiente educacional, o mentoring (nestes casos podendo ser chamado de tutoria) tem uma longa tradição, especialmente nos programas de educação a distância, como ação que promove suporte e orientação através de aproximação entre estudantes e professores/profissionais experientes.

As mudanças sócio-culturais ocorridas no século 20, fortemente impactadas pela globalização, dão novo sentido a esta dinâmica; são criados canais de comunicação voltados ao fomento de experimentações que ampliam esta ação, proporcionando desenvolvimento individual e coletivo. Nas empresas e nas escolas crescem iniciativas voltadas à formação de gestores, aprimoramento profissional, incentivo e apoio nos momentos de escolha de carreira. As práticas de mentoring se enquadram neste contexto.

Atualmente, ainda predominam as abordagens individuais, parecendo despropositado falar em mentoring social. Entretanto, ampliam-se as conectividades virtuais entre empresas, escolas e organizações.

Mentoring pode ser entendido como processo educativo de aprimoramento e quando fortalecido pelo incremento dos recursos tecnológicos abre caminho para que inúmeras possibilidades de acesso permanente, intenso, ágil a todo e qualquer tipo de informação e conhecimento, sejam disponibilizadas, o que também pode levar à crença, ao menos ilusoriamente, de que tudo se pode saber e aprender, rápida e imediatamente. Paradigma presente tanto no ambiente profissional quanto educacional.

Vivemos tempos não mais de regras únicas e aplicáveis a tudo e todos, em que não mais existe um caminho único, mas sim uma trajetória construída a cada circunstância e para cada pessoa, sujeitos que buscam experimentar-se em sua subjetividade, em sua a singularidade, algo mais viável, e necessário, neste cenário mutante. Contexto em que querer preparar uma pessoa para uma carreira – não só profissional, mas carreira como “trajetória” de vida – mostra-se inadequado e até mesmo inviável.

Caminha-se assim, em direção a uma nova matriz de comunicação nas organizações, o que incrementa experiências e iniciativas que integrem empresas, instituições de ensino, organizações não governamentais, órgão públicos, campo em que a Cidade do Conhecimento revelou-se pioneira.

O design social do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento2 da USP, criado em 1999, teve como ponto de partida uma primeira aproximação entre a prática do mentoring e os desafios das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs).

A agenda foi apresentada (Schwartz e Lemos, 2000)3 e as primeiras práticas implementadas em projetos4 como “Meninas Cientistas” (2001-2002)5 e “Dicionário do Trabalho Vivo” (2002) em que o foco era a experimentação com o “telementoring” – mobilização do que atualmente se denomina “redes sociais” numa etapa anterior de desenvolvimento da web (a web 1.0) em que profissionais já integrados ao mercado de trabalho interagiam com estudantes do ensino médio para reconhecimento das novas fronteiras do emprego por meios digitais, abordagem que antecipava o modelo de “Wikipedia”.

Projetos com esta configuração criam ambientes voltados à transdiciplinaridade e abrem novas perspectivas de desenvolvimento pessoal e profissional. Incorporar ferramentas digitais para mediar relações interpessoais em processos de aprendizado e desenvolvimento de indivíduos e grupos é uma tendência que se confirmou e vem sendo ampliada desde esses primeiros experimentos, tornando-se mesmo irreversível e vai sendo aceita como a principal característica da “web 2.0”.

Este cenário mostra a oportunidade e a necessidade de aprofundamento teórico nesse campo de pesquisa científica e ação criativa.

Talvez como contraponto ou antídoto à globalização pasteurizada da informação abundante o mentoring vai ganhando espaço e relevância como oportunidade de personalização ou singularização da experiência comunicacional.

Mais que interagir midiaticamente com os outros, o espaço fluido do audiovisual digital atinge com o mentoring um status de tempo vital reconstruído pela inspiração provocada no contato com o Outro.

NOTAS

[1] Mestranda do Programa de Meios e Processos Audiovisuais (ECA-USP) e pesquisadora da Cidade do Conhecimento. email: thais.barros@usp.br

[2] Grupo de pesquisa que desenha e implementa iniciativas de Emancipação Digital conectando USP e centros de pesquisa, empresas, instituições públicas e organizações da sociedade civil. O projeto é associado ao Núcleo de Política e Gestão Tecnológica (PGT) da USP e liderado noDepto. de Cinema, Rádio e TV pelo Prof. Gilson Schwartzhttp://www.cidade.usp.br

[3] Apresentado na International Conference on Information Society in the 21st Century: Emerging Technologies and New Challenges (IS2000), Session D8 Virtual Universities and Distance Education VI: Multimedia Contents and Infrastructure for Distance Education , The University of Aizu, Japan, November 5-8, 2000 http://www.cddc.vt.edu/knownet/articles/east-west.doc / http://www.u-aizu.ac.jp/official/index_e.html

[4] Os projetos foram patrocinados pela Secretaria do Emprego do Estado de São Paulo e pela Cátedra UNESCO sobre Mulher, Ciência e Tecnologia na América Latina.

[5] Este projeto reuniu na mesma rede alunas de ensino médio e trabalhadoras que atuam em áreas de pesquisa e desenvolvimento, ciência e tecnologia, sob a coordenação da Prof. Dra. Regina Festa (ECA-USP).

[6] O tema é objeto da pesquisa de mestrado O uso das TICs em processos de mentorin.”, desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Meios e Processos Audiovisuais, ECAUSP, sob orientação do Professor Gilson Schwartz.

[7] Em abril de 2009, participamos de uma experiência realizada em parceria entre a IBM e a Cidade do Conhecimento, envolvendo a residência de funcionários da empresa em ONGs no Brasil e em outros países. Cf. http://www-03.ibm.com/press/br/pt/pressrelease/27286.wss O primeiro projeto-piloto na área de mentoring da IBM no Brasil foi realizado também na Cidade do Conhecimento, em 2001, ano de fundação do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento. Cf.http://www.cidade.usp.br/projetos/e-voluntarios/ e ainda http://www7.rio.rj.gov.br/iplanrio/sala/textos/01.pdf (pag. 66).

[8] Este Outro – maiúsculo – partindo da psicanálise lacaniana, trata da relação do sujeito com o simbólico, a cultura, as leis e a linguagem.

No Coração da Mata Atlântica


ponte_imigrantes

Com evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP) no dia 15 de abril, a Fundação Kunito Miyasaka anuncia a criação do Parque Imigrantes, em parceria com a EcoVias e participação da Cidade do Conhecimento no desenvolvimento de conteúdos pedagógicos digitais.

Situado às margens da Rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo, o Parque Imigrantes cria o primeiro projeto de longo prazo depois da celebração dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil. “Será uma referência no turismo ecológico e na educação ambiental, com investimentos previstos de R$ 12,87 milhões na construção do Parque, cujo lema é “Parque Imigrantes – Coração da Mata Atlântica”.

Numa área de 484 mil m² às margens da rodovia dos Imigrantes, as obras serão concluídas em 18 meses, com um mínimo de construções, autosustentável e destinado para a prática da educação ambiental, com 100% de acessibilidade para deficientes.

A principal estrutura será uma ponte que cortará, praticamente, toda a área do parque. A partir dessa edificação, será possível ter acesso às trilhas e mirantes do parque. Na parte inferior da ponte transitará um ‘bondinho’ para uso de idosos e pessoas com dificuldade de locomoção.

O piso da travessia será intercalado de estruturas transparentes, para que o visitante possa observar a mata. O material usado na construção também será ecologicamente correto, como madeiras de reflorestamento. O acesso às trilhas será feito por meio de elevadores, que dispensam energia elétrica por serem movidos por um sistema de pêndulos.

A entrada do parque será na altura do km 36,5 da Imigrantes, sentido Litoral. Nesse ponto já existem restaurantes e um posto de gasolina instalados, que serão utilizados como praça de alimentação do parque.

Além da educação ambiental, o projeto promete criar oportunidades de emprego e inclusão social. Os funcionários do parque serão exclusivamente moradores do entorno.

A Cidade do Conhecimento é responsável pela curadoria de conteúdo digital do projeto, que integra o programa Gestão de Mídias Audiovisuais para o Desenvolvimento Local (GeMA). Entre as células do Parque, haverá uma estação de imersão em EcoVivências Digitais desenhadas e incubadas como parte da Cidade do Conhecimento.

Visite o portal do Parque Imigrantes – Coração da Mata Atlântica.

Leia a seguir reportagem publicada pela Folha d  S. Paulo (16/02/2009, Caderno Cotidiano):

SP vai ganhar parque voltado ao arborismo e à admiração da natureza

DA REPORTAGEM LOCAL

O projeto de um novo parque privado, dedicado ao arborismo e à admiração da natureza em uma reserva de mata atlântica, às margens da represa Billings, foi lançado ontem. O parque será instalado em uma área de 484 mil metros quadrados -cerca de um terço da área do Ibirapuera- no quilômetro 34,7 da rodovia dos Imigrantes, em São Bernardo do Campo. Deve ser concluído em 18 meses.

Novidade em São Paulo, o parque Imigrantes terá passeios suspensos entre as copas das árvores, feitos por uma passarela pênsil de madeira e de vidro temperado. Nos 4.500 m2 de área construída haverá ainda anfiteatro, biblioteca e centro de estudos. O projeto, bancado pela Fundação Kunito Miyasaka, custará cerca de R$ 13 milhões.

O parque, que fica no sentido São Paulo-Santos, não será uma área de lazer aberta à população como o do Carmo (zona leste), que também tem reserva de mata ciliar e brejo.

A visitação no parque só poderá ser feita com hora marcada. Haverá um limite de 300 visitas, que serão gratuitas, por dia. Na prática, vai funcionar como um horto florestal. Dois teleféricos com 270 metros de extensão e capacidade para oito passageiros vão fazer a travessia no parque.

O único contato dos frequentadores com o chão será por duas trilhas -uma de 150 metros e outra de 1,5 km, cujo trajeto foi estudado para causar o menor impacto ao ambiente – a área é uma ligação entre o parque da Serra do Mar e a represa Billings. Na região há tatus, macacos, veados, gambás e cutias.
“O parque fica no coração da mata atlântica. A ideia é que ele sirva de orientação às escolas e que as pessoas tenham a oportunidade de conhecer a natureza nativa da região. O impacto da construção é muito baixo e praticamente não vai interferir no ambiente”, diz Antonio Rosa Neto, presidente da Fundação Kunito Miyasaka, mantenedora do novo parque.
Como fica numa rodovia de acesso difícil por transporte coletivo, o parque diz planejar o traslado escolar, mas não haverá linhas regulares das cidades próximas até o local.

Veja a entrevista com o Curador de Conteúdo Digital do Parque Imigrantes, Gilson Schwartz, líder do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento.

Cultura de Rede e Desenvolvimento


A Annenberg School of Communications da Universidade de Southern California promoveu no dia 20 de janeiro o seminário “Network Culture and Economic Development in Brazil”, com apresentação do coordenador da Cidade do Conhecimento, Gilson Schwartz. A iniciativa integra o “Network Culture Project” e o “Annenberg Research Network on International Communication – ARNIC” da USC. A íntegra em vídeo e as transparências usadas no evento estão disponíveis (em inglês) na página da ARNIC. Na USP, o projeto associa-se em 2009 ao programa “Ensinar com Pesquisa” da Pró-Reitoria de Pesquisa, que terá início em março promovendo conexões entre cursos de pós-graduação e centros de pesquisa em artes e comunicações digitais com foco em tendências da economia política do audiovisual.

Conteúdo digital em Tóquio


O governo japonês tomou a iniciativa de concentrar em outubro todos os eventos ligados a cultura digital do país, atraindo a Tóquio os principais produtores, distribuidores e criadores de conteúdo da Ásia. Gilson Schwartz, coordenador do grupo de pesquisa Cidade do Conhecimento e professor do Depto. de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da USP está no Japão para acompanhar os eventos e integrar novos elementos ao programa “Gestão de Mídias Audiovisuais para o Desenvolvimento Local – GeMA”.

“Os eventos no Japão vão oferecer aos participantes do GeMA um contato diferenciado com a fronteira das tecnologias digitais em web 2.0, cinema digital, telefonia celular, TV em 3 dimensões, artes gráficas e animação”, detalha Schwartz. Uma optativa no curso de difusão cultural reunirá essas informações e orientará os líderes de projetos com foco na cultura e nos mercados asiáticos.

Entre as organizações promotoras do Festival de Conteúdo Digital do Japão estão a “Digital Contents Association of Japan – DCAJ” e o Ministério de Economia, Comércio e Indústria, visitados pelo Professor Schwartz.

INTERCOM em Natal


O Congresso da Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, a Intercom, em Natal, Rio Grande do Norte, reuniu a elite dos estudos de comunicação para discutir o futuro de nossa mídia num mundo de contraponto entre exaustão ambiental e degradação humana. “Mídia, Ecologia e Sociedade” foi o tema geral do encontro realizado na capital potiguar entre 2 e 6 de setembro.

Um dos principais conferencistas da INTERCOM em 2008 é Dov Shinar, israelense reconhecido internacionalmente pelo seu trabalho de aproximação entre jornalismo e paz no Oriente Médio.

Shinar participa da “guinada icônica” que hoje define a fronteira da contemporaneidade, o ícone é justamente esse vértice que articula mídia, ecologia e sociedade, é sinal que orienta onde é possível despejar o nosso lixo. A predominância das imagens num mundo de disputas encarniçadas por energia, alimentos e território torna os meios de comunicação uma arena privilegiada na luta por renda, identidade e conhecimento.

A guerra de imagens é quase tão importante quanto as imagens da guerra na compreensão dos mais intensos conflitos humanos na pós-modernidade. Desde o holocausto o cinema, a fotografia e o audiovisual servem como supra-territórios onde se constrõem imagens de nação, reputação e controle.

A importância da presença de Dov Shinar no principal encontro da elite que pesquisa, estuda, ensina e atua nos meios de comunicação no país está no alerta para a relevância das garantias democráticas como antídoto para a iconofilia contemporânea.

O pressuposto do professor israelense Dov Shinar é que uma estrutura democrática de mídia – incluindo-se aí as mais antigas e as mais modernas tecnologias de comunicação – deve procurar atingir um equilíbrio viável entre interesses sociais particulares e públicos, reconhecendo-se a legitimidade de considerações econômicas e de controle da mídia, assim como a necessidade de atividades que não assegurem lucro imediato; a necessidade de atividades políticas, de ações governamentais, de grupos de oposição, ONGs e instituições da sociedade civil concernentes à mídia, legalmente livres; e, também, as necessidades globais, pelo público, de informação, contextualização e transparência, desvinculados, tanto quanto possível, de interesses particulares.

Basta olhar em volta, ouvir as escutas telefônicas, assistir a alguns minutos de propaganda eleitoral (a do Rio Grande do Norte tem um lugar de destaque garantido no festival de aberrações que logo estará disponível em clipes nos YouTubes da vida). Os critérios relativamente simples, transparentes e objetivos de existência de uma mídia democrática nunca estiveram tão longe da realidade brasileira e mundial num setor que é, depois da invenção das TICs (tecnologias de informação e comunicação), uma condição “sine qua non” para a geração de renda, identidade e conhecimento.

O “produto icônico brasileiro” está muitíssimo abaixo do mínimo, como atestam os resultados de nossos testes no campo educacional. As urnas apenas refletirão esse escravismo mental renitente.

Link para o Congresso da Intercom:
http://www.cchla.ufrn.br/intercom2008/

Intecom 2008: Abertura Solene, Natal, RN

Intecom 2008: Abertura Solene, Natal, RN

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Economia do Audiovisual em Moçambique


Aconteceu entre 9 e 12 de junho o I Congresso Brasil-Moçambique sobre Digitalização, Democracia e Diversidade, na Universidade Eduardo Mondlane, em Maputo. A Cidade do Conhecimento e o programa GeMA – Gestão de Mídias Audiovisuais foram apresentados pelo coordenador, Gilson Schwartz, que definiu uma cota de pelo menos 10 vagas para estudantes de Moçambique no programa de extensão. “Já existe Convênio de Cooperação entre USP e UEM, vamos fazer esforços para torná-lo mais ativo na área da economia do audiovisual”, declarou Schwartz, professor do Depto. de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes da USP. O Congresso é financiado pelo CNPq, no Edital PróÁfrica, com inscrições abertas para cooperação na área de pós-graduação.

Conheça o blog do I Congresso Brasil-Moçambique sobre Digitalização, Democracia e Diversidade

TV Navegar na Cidade


A parceria entre a Cidade do Conhecimento e o projeto Navegar Amazônia avança com a criação da TV Navegar, que vai ao ar em fase "Beta" no dia 1 de junho de 2008 registrando resultados da expedição promovida pelo Instituto Socioambiental (ISA) em defesa dos mananciais.

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Navegar Amazônia premiado em Festival


A expedição realizada em 2006, com participação da Cidade do Conhecimento, foi registrada em documentário de Jorge Bodanzky, líder do projeto, que acaba de ganhar o prêmio do público no “IV Amazonas Film Festival Internacional” e também uma menção especial do júri na categoria documentário. Entre as cenas registradas pela câmera de Jorge Bodanzky está o registro de “ringtones” amazônicos para celulares, projeto em parceria do Navegar Amazônia com a Cidade do Conhecimento. Confira mais informações sobre o festival em www.amazonasfilmfestival.com .

Oficina de Emancipação Digital Xavante


Oficina de Emancipação DigitalAconteceu nos dias 30/04 e 01/05 mais uma Oficina de Emancipação Digital na Aldeia Xavante São Pedro, na Reserva de Parabubure, estado do Mato Grosso. A Cidade do Conhecimento instalou para a comunidade um protótipo de estação para edição de conteúdos áudio-visuais. Nesta ocasião, também foi realizada uma oficina sobre edição e captação de sons, tendo como tema principal os “Cantos Xavantes” da aldeia.

Expedição “Navegar Amazônia”


Navegar Amaz�niaA Cidade do Conhecimento inicia suas atividades em 2006 com nova parceria: o projeto Navegar Amazônia, liderado pelo cineasta Jorge Bodanzky e Beto Lacerda.

O Diretor da Cidade, Gilson Schwartz, visitou o projeto em Belém do Pará e participou, ao lado de Evaldo Mocarzel, Jorge Mautner e outros artistas e pesquisadores da primeira expedição. Confira os registros de imagem, áudio e vídeo do projeto.