bot_ok.gif

Aula 2: Novas relações comunicativas na Escola

   
Escola e cultura de massa
por Maria Cláudia De Lima Medeiros

O século XX assistiu a um vertiginoso desenvolvimento científico-tecnológico que impôs à sociedade de um modo geral e, em particular à escola, uma transformação radical. É a era da informação. Saberes que anteriormente eram veiculados exclusivamente através de livros e pela escola passaram a ser disseminados pela mídia, com a sedução do audiovisual e pela Internet, com a interatividade do cyberspace. Esses meios instauraram a idéia de sociedade de rede em que todas as pessoas estão interligadas pelos meios de comunicação, democratizando-se assim o acesso à informação. Neste contexto, a palavra, outrora detentora absoluta do poder de informação, cada vez mais perde espaço e cede lugar para o audiovisual, já que a imagem é capaz de comunicar de maneira altamente estimulante e sem as limitações de idiomas. Entretanto, essa avalanche informativa não significou necessariamente uma melhoria na qualidade de sua recepção, uma vez que impôs-se um ritmo que não deixa muito tempo nem espaço para reflexões. Além do mais, segundo Adorno(1),a cultura de massa veicula uma ideologia de classe em relação a qual a vida de seus consumidores está completamente defasada, levando-os a viver numa outra realidade que não é a sua: "Quanto mais se materializam e se tornam rígidos os estereótipos na presente estrutura da indústria cultural, tanto menos gente tenderá a modificar idéias com argumentos concebidos com o progresso da sua experiência. Quanto mais opaca e complicada se torna a vida moderna, tanto maior o número de pessoas tentadas a agarrar-se desesperadamente a clichês que parecem impor alguma ordem ao que, de outro modo, é incompreensível. Assim, as pessoas não somente perdem a verdadeira visão interior da realidade, mas também acabam perdendo a própria capacidade de experimentar a vida, embotada pelo uso constante de óculos azuis e cor-de-rosa." Exemplo dessa incapacidade de experimentação do real é a afirmação banal que muitos de nós fazemos diante do pôr-do-sol: "Que lindo! Até parece um cartão-postal." Observar o pôr-do-sol deixou de ser uma surpresa gratificante, a experimentação das cores, do frescor do fim de tarde. Reduziu-se à experiência repetida exaustivamente pelo registro fotográfico que pode ser encontrado em qualquer mercado. Obviamente trata-se de um exemplo singelo, porém demonstra claramente como as imagens produzidas e veiculadas por meios tecnológicos tornaram-se preponderantes sobre qualquer outra forma de apreensão do mundo. Dentre esses meios, merece destaque a TV, com seu indiscutível poder de penetração que dá a impressão de trazer o mundo inteiro para dentro de nossas casas. Já convencionou-se dizer que só existe de fato aquilo que aparece na TV. Concede-se às suas imagens o status de real sem que haja uma reflexão a respeito de quem teria determinado aquilo que as câmeras poderiam ou não filmar e segundo quais interesses e critérios; que pessoas poderiam ser entrevistadas e quais não; quais as causas e conseqüências do fato veiculado da maneira como foi, etc. Contenta-se com o que foi transmitido e esquece-se tão logo outro assunto chame mais a atenção. Isso não ocorre por acaso. Há todo um aparato de comunicação, informação e disseminação de imagens voltado para a figura de consumidor (a que todos fomos convertidos), que é bombardeado com ofertas de bens e de produtos. O conhecimento submete-se à lógica do mercado que transforma o planeta num grande palco, num espetáculo-suporte para a venda de mercadorias. É por esse motivo que a escola deve abrir-se para a discussão sobre o impacto da mídia no cotidiano das pessoas e dos grupos humanos, principalmente num momento em que "a profundidade dos sentimentos , o compromisso moral com certas idéias, a reflexão e o pensamento a respeito das coisas tornam-se incômodos, quase uma anomalia indesejável"(2) diante do jogo das imagens. É necessário que a escola enfrente conscientemente os mecanismos que operam nos vários níveis da mídia para não formar (ou continuar formando) gerações cegas e passivas, pois, como afirma Adorno(1)"Só poderemos mudar esse meio de extensas possibilidades se o encararmos com o mesmo espírito que esperamos seja, um dia, expresso pelas suas imagens." Diante de seu poder, a escola deve,portanto, ser polêmica, estimular a crítica e desafiar o pensamento - o que ainda se faz majoritariamente com palavras.

NOTAS 1. ADORNO, T.W. A televisão e os padrões da cultura de massa. In: Cultura de Massa. São Paulo: Cultrix. 2. ARBEX JUNIOR,José e TOGNOLI,Cláudio Júlio. Mundo pós-moderno. São Paulo: Scipione, 1996 (Ponto de Apoio)

   

Aula 9: Projetos colaborativos em Internet

Aula 8: O audiovisual na educação

Aula 7: Qualidade da televisão e educação

Aula 6: Novas tecnologias midiáticas - 2

Aula 5: Novas tecnologias midiáticas - 1

Aula 4: Comunicação e linguagem: processos de leitura crítica

Aula 1: Educomunicação: estratégias da comunicação em espaços educativos

Aula 2: Novas relações comunicativas na Escola

Aula 3: Meios de comunicação, educação e cidadania

powered by zope

   

Web design: Insite Soluções Internet - Sistema de publicação: Hiperlógica Página-1