Universidade de São Paulo
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Cidade do Conhecimento, novembro de 2002 - Ano 1 - No 4
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editorial


Uma das preocupações de educadores é com o processo de trabalho da informação. Ou seja, a dinâmica para sua obtenção, seleção, análise e contextualização. A qualidade dessa dinâmica determina a boa formação.

O trabalho do professor está em dar sentido para a informação, conjuntamente com seus alunos, para que ela seja relevante na compreensão de um determinado problema. Thomas Davenport, professor da Universidade do Sul da Califórnia, salienta que num tempo em que a informação é um produto abundante, o grande desafio é captar a atenção das pessoas e mobilizá-las (obtendo a concentração necessária) para a criação de novos saberes. Aliando temas como relevância, atenção, reflexão e criatividade, temos uma pauta que deveria estar na primeira página na agenda de todo educador na sociedade da informação.

Há uma outra característica na organização do conhecimento que vem se impondo: a natureza interdisciplinar. A permeabilidade dos limites entre uma ciência e outra tem forçado as paredes da grade curricular tradicional, obrigando-nos a lançar nossa atenção a áreas que tradicionalmente nem nos passaria pela cabeça nos aventurar. As questões ambientais, por exemplo, podem aparecer na aula de ciências, de geografia, de química, de biologia. A linguagem, que era território da aula de português e literatura, pode estar na de história ou de matemática, e certamente também na de artes plásticas. Alguém já trabalhou ciências e educação física?

Um ambiente interdisciplinar: esse é um dos resultados do "Educar na Sociedade da Informação". Ele já é evidente na composição dos módulos que foram oferecidos em 2002, que prestigia esta tendência. E também está em prática nos temas de cada encontro.

Mas há ainda muito por fazer, neste modelo de comunidades em que se produz muito, mas nem sempre se faz a costura de temas irmãos apresentados nas comunidades vizinhas.

Sem essa costura, o resultado será apenas algo inerte, que ficará na prateleira ou na gaveta (digitais).

Ao enfrentarmos o desafio de compor novos saberes a partir do que produzimos em nossas comunidades, queremos dar forma a uma Cidade feita não apenas de informação, mas também de conhecimento.



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