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Competência
e Paixão
por
Maria
Lúcia Lanza,
supervisora
de ensino – D.E. Região de Taboão da Serra
participante do Educar em 2002 e 2003
Já
faz algum tempo que trabalho com formação de educadores
– em serviço ou não – e um dos pontos
que me intriga é a constatação de que –
em um número muito maior de vezes do que seria desejável
– a freqüência a cursos, orientações
técnicas e capacitações não obtém
os resultados esperados na prática docente.
Muitos educadores até incorporam o discurso progressista
mas persistem na prática tradicionalíssima. Por quê?
Dá
para levantar algumas hipóteses explicativas, que passam
pela proverbial distância entre teoria e prática, pela
ausência de reflexão sobre sua própria ação,
pelo efeito desmotivador das difíceis condições
de trabalho, pela auto-imagem negativa – fruto de anos e anos
de baixa remuneração, o que resulta em uma estafante
carga horária de trabalho -, pela precária formação
inicial dada em cursos de graduação de baixa qualidade,
pelas deficiências dos próprios cursos, orientações
técnicas e capacitações...
Provavelmente,
todas estas variáveis contribuem juntas – em maior
ou menor medida, dependendo de cada situação –
para que o efeito das ações de capacitação
dos educadores fique aquém do esperado.
Mas
isto não explica como, APESAR de todos estes fatores, ainda
temos excelentes professores. Por que, mesmo submetidos às
mesmas contingências de todos os outros, alguns se destacam?
Como
é o professor que faz diferença? Fiquei pensando nos
meus professores importantes... naqueles que continuam a existir
em mim (como escreveu uma amiga), mesmo depois de muito tempo...
é engraçado... porque esses professores eram bastante
diferentes entre si.... pensando em qual seria o denominador comum
entre eles, me ocorre que era...a competência!
Competência,
como definida por Terezinha Rios (RIOS 2001, pg.23): “saber
fazer bem o que é necessário e desejável no
espaço da profissão.” E mais, “a ação
docente competente, portanto de boa qualidade, é uma ação
que faz bem, isto é, que é bem feita do ponto de vista
técnico-estético, e uma ação que faz
bem, do ponto de vista ético-político, a nós
e àqueles a quem a dirigimos.”
Essa
definição ganha, a meus olhos, MUITA legitimidade
na medida em que é formulada por uma das minhas professoras
de maior competência, a mesma que fez com que eu me apaixonasse
pela Filosofia quando cursava o Ensino Médio.
Aliás,
desconfio muito que aquela competência dos meus antigos professores
era também resultado de paixão. O objeto da paixão
era diferente para cada um deles: alguns eram apaixonados pelas
pessoas e nós – os alunos – éramos agraciados
com esta paixão por tabela, só pelo fato de pertencermos
à espécie humana... outros eram apaixonados pela literatura,
ou pela arte, ou pela filosofia... e nós éramos -
felizardos – expostos e contaminados por essas paixões...
Semana
passada, assisti a uma vídeo-conferência com o professor
Pasquale Cipro Neto. Ele falava sobre oxítonas, paroxítonas,
redondilhas... e tudo parecia fascinante... por quê?
O
fascínio vinha dele mesmo... de sua contagiante paixão
pelo texto. Aliás, foi a sua recomendação a
alunos e professores: amem o texto!
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