Não, trata-se de um processo longo, que terá
rodadas mensais de oficinas, de baixíssimo custo e alto
impacto social, mas com erros e acertos, aprendizado e gradual
implantação da infra-estrutura administrativa
e tecnológica da rede.
Numa primeira fase todos os recursos financeiros e não-financeiros
captados para a Rede Pipa Sabe serão administrados pela
USP, com total transparência e publicação
das informações na internet, num mural na Galeria
Café Cultura e em publicação avulsa para
distribuição gratuita. Todos os garatuís
podem ser trocados por reais, mas essa troca será feita
pela USP segundo critérios também públicos
e transparentes.
Não, na medida em que o sistema se estabiliza e organiza,
haverá transferência TOTAL da gestão para
um comitê local, quadripartite (setor público,
privado, ONGs e academia). Mas primeiro vamos organizar, testar
as sinergias, medir e discutir os resultados, nossa capacidade
de cooperação e, claro, a forma de escolha dos
representantes desse comitê gestor do projeto.
Essa transparência e controle/monitoramento da USP tem
ainda a vantagem de ser um poder externo que pode se dar ao
luxo de “ignorar” muitos dos conflitos históricos
locais, abrindo uma nova frente de cooperação
e confiança na comunidade, o que é uma vantagem
inicial, reforçada pelo apoio do governo federal. Mas
claro que, sem essa confiança da comunidade no projeto,
nem a USP nem ninguém será capaz de transformar
a realidade.
Esse é um projeto piloto está sendo observado
nacional e internacionalmente por governos, empresas, ONGs e
institutos de pesquisa interessados em novas formas de usar
as tecnologias de informação e comunicação
para a transformação social e econômica.
É o primeiro projeto, depois de 3 anos de testes, fora
de São Paulo. Para a Cidade do Conhecimento, significa
um teste de seus métodos em condições de
extrema dificuldade (distância, diferenças culturais,
dificuldades de financiamento, etc.). Junto com a Universidade
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), estamos construindo junto
com a sociedade formas cada vez mais inteligentes e eticamente
desejáveis de cooperação.
O projeto tem como objetivo criar novas oportunidades de emprego
e renda a partir da cultura e do conhecimento. A dimensão
nacional e mesmo internacional desse projeto abre não
apenas perspectivas de captação de reais e dólares
muito claras se funcionar bem como também perspectivas
de transferência dessa experiência para outros lugares
e, finalmente, possibilidade de muita gente pegar carona, pois
na medida em que a Pipa passa a ter uma nova imagem de centro
cultural, educacional e tecnológico misturado com lazer,
entretenimento e indústria do turismo, isso vai beneficiar
a comunidade e mesmo os que não participam diretamente
da Rede Pipa Sabe ou não são portadores de garatuís.
O projeto precisa de pouco dinheiro, vários patrocinadores
estão se juntando para viabilizar a Rede Pipa Sabe, uns
entram com dinheiro, outros com quartos em hotéis e pousadas,
outros com alimentação para a equipe de produção,
muitos com trabalho voluntário em oficinas (palestras
e compartilhamento de conhecimento). É um mutirão
que conta ainda com o apoio do governo estadual e da prefeitura
de Tibau do Sul com apoio em transporte, segurança, saúde
pública e envolvimento direto de secretarias como Turismo
e Educação.
O garatuí é o dinheiro da Rede Pipa Sabe. Será
distribuído em cotas pessoais de G$ 250 (duzentos e cinqüenta
garatuís), equivalentes a R$ 250 (duzentos e cinqüenta
reais). Será distribuído em todas as escolas da
região e servirá como moeda nas atividades culturais,
educacionais e de planejamento da Rede Pipa Sabe.
É crucial investirmos na melhor relação
possível entre custo e benefício, ou seja, precisamos
PROVAR que o garatuí é poderoso, que com um pouquinho
de reais podemos gerar uma dinâmica econômica de
milhares de garatuís. Isso será crucial para que
o modelo seja copiado em muitas outras prefeituras e países
(claro que, uma vez provado isso, o que interessa é o
efeito multiplicador: se cada real gera um movimento de 5 garatuís
em média, o ideal é ter 1 milhão de reais
em vez de 10 mil, se conseguirmos manter sempre uma boa relaçào
entre custo e benefício). O garatuí é emitido
com base num lastro em reais, quanto mais eficiente a nossa
gestão do garatuí, maior a confiança de
quem está fora e pode entrar na rede, comprando garatuís
para promover a sabedoria de Pipa.
Cada cédula de garatuí será numerada.
É como uma ação ao portador (título
que é negociado nas Bolsas de Valores, representa uma
participação no resultado de um empreendimento).
Cada retirada inicial de cédulas é registrada
uma ficha de inscrição na Rede Pipa Sabe, como
se fosse um contrato. Cada aluno, cada pousada, cada turista
que passar na Galeria, enfim, todo mundo que fizer uma retirada
inicial de Garatuís vai assinar uma ficha dando nome,
idade, endereço, email, sexo, profissão.
No final de cada rodada de oficinas, os garatuís terão
mudado de mãos. O garatuí do aluno foi parar na
mão do tarrafeiro, etc. TODOS, ABSOLUTAMENTE TODOS os
portadores de garatuís terão direito a convertê-los
em reais na Galeria Café Cultura. Para que possamos avaliar
a qualidade do processo, é importante saber como o garatuí
circulou. A numeração das cédulas e a identificação
da origem de cada uma permitirá também medir e
avaliar o sucesso de cada oficina junto ao público, de
maneira imediata (bastará verificar onde foram parar
os garatuís distribuídos inicialmente).
TODOS podem trocar seus garatuís por reais. PORÉM,
essa troca está sujeita às seguintes regras iniciais:
- disponibilidade de reais no caixa do projeto (reservas), descontados
os impostos e despesas administrativas,
- prioridade a quem trabalhou nas oficinas,
- dentro dessa prioridade, prioridade à condição
social do portador, favorecendo as pessoas de mais baixa renda.
O portador de garatuís pode ou não guardar as
cédulas em casa. Se é um turista, ele pode devolver
à Galeria e registrar o saldo numa conta digital aberta
em seu nome na Rede Pipa Sabe e acessível a qualquer
momento pela internet. TODOS os que receberam garatuís
estarão registrados e poderão consultar, pela
internet, a qualquer momento, o seu saldo no sistema. Quem não
estiver registrado e quiser se registrar, basta levar garatuís
ou pedir para receber, assinando a ficha de inscrição
na Rede Pipa Sabe.
Eles tem prazo indeterminado de validade ou, no mínimo,
valem enquanto existir a Rede Pipa Sabe. Quem não gastar
garatuís nas oficinas de dezembro, poderá usa-los
nas oficinas de janeiro e assim por diante.
Sim, dependendo da sua aceitação em lojas, restaurantes,
supermercados, etc.
Além disso, o turista que já saiu de Pipa poderá,
por exemplo, usar seus garatuís para adquirir produtos
e serviços pela internet (por exemplo, comprar poesias
do grupo de poesia do Prof. Marinho pela internet, gastando
os garatuís que tem acumulado ou comprando mais garatuís
pela internet, nesse caso pagando em reais).
O garatuí só é "garatuíto"
para quem está em Pipa durante cada semana de oficinas
ou
é de pousadas, restaurantes e lojas que aderiram à
rede.
Sim, sempre a critério da USP e, depois, do Comitê
Gestor da Rede Pipa Sabe. Por exemplo: daqui a 6 meses, sendo
um sucesso, podemos trocar garatuís simplesmente para
qualquer um, nem que seja uma fração dos resultados.
É como uma ação que rende dividendos ou
lucros. O portador, que confiou, que apoiou, que participou
de um empreendimento que de repente vira sucesso mundial, atrai
mais capitais, obivamente tem DIREITO a trocar seu garatuí
por real também! Claro, SEMPRE sujeito às nossas
prioridades (favorecer o mais pobre, o estudante, o artista,
etc.). Garatuís podem virar bolsas de estudo, por exemplo.
Com o tempo, as regras de conversão garatuí-real
ganharão sofisticação, detalhamento, serão
alvo de debates, poderão ser tema de estudos nas escolas
da região, etc. Para isso será fundamental a constituição
do Comitê Gestor da Rede Pipa Sabe. Assim como o Banco
Central do Brasil decide em reuniões mensais qual será
a taxa de juros no país, o Comitê Gestor vai decidir
quem pode trocar garatuís por reais. O importante é
que as regras de conversão sejam sempre transparentes
e atendam a objetivos da comunidade (por exemplo, reforço
de merenda escolar, bolsas para os melhores alunos, estágios
em oficinas, crédito para empreendimentos de alto impacto
social e cultural, etc.).
Sim e não. Ele é dinheiro que funciona apenas
nas atividades da Rede Pipa Sabe. Mas o importante é
cada pessoa saber que o nosso compromisso é com o dinheiro
de verdade, que o garatuí é um investimento coletivo
na produção de riqueza, valor e renda de verdade.
Como investimento será trocado por reais apenas com
o tempo e na medida do sucesso da própria rede. O limite,
no entanto, será sempre o da taxa nominal de câmbio
oficial, que é de G$1 = R$ 1 (nunca o garatuí
valerá mais que o real). O garatuí entretanto
não rende juros: quem deixar seus garatuís depositados
na Galeria não receberá juros por isso.
Em suma, o garatuí é um dinheiro sem usura e
que aproxima em vez de afastar as pessoas.
É uma espécie de anti-dinheiro, mas para ajudar
a colocar mais dinheiro nos bolsos e bolsas da comunidade de
Pipa. É o dinheiro do futuro, viável não
apenas pela tecnologia, mas principalmente por causa da solidariedade,
capacidade de cooperação de uma comunidade para
reelaborar seus sonhos, processos e projetos.
Algumas fontes de reais para lastrear (permitir a troca por
reais) dos garatuís são:
- turistas compram garatuís ao chegar em Pipa,
- hotéis, lojas, restaurantes compram para oferecer aos
seus hóspedes (ou fazem permuta de produtos e serviços
por garatuís),
- se as oficinas viram uma grande atração da Pipa
e já há dinheiro em caixa para manter o processo,
ou se nem todos os hotéis fazem permuta, poderão
comprar até mesmo com descontos,
- compras na Rede Pipa Sabe pela internet ocorrem apenas em
reais,
- agências de governo, ONGs e empresas privadas podem
considerar que é um investimento com alto retorno social
e de imagem e decidir comprar garatuís para funcionários,
clientes ou simplesmente doam dinheiro para que a Rede Pipa
Sabe distribua seus garatuís para alunos de escolas públicas,
desempregados, etc.,
- a partir do funcionamento da rede, muitas obras serão
produzidas e comercializadas (poesia, cinema, artesanato, obras
de arte, etc.), pode-se cobrar um imposto sobre as vendas que
ocorrerem por meio da rede, inclusive pela internet,
- na medida em que a própria rede estimular a vinda de
pessoas a Pipa para participar de oficinas e mostras, a Rede
Pipa Sabe poderá ganhar reais nessa atividade também
(por exemplo, reservas de hotéis e pousadas feitas por
seu intermédio, para congressos e seminários ou
ciclos especiais de oficinas, por exemplo,
- a venda de produtos desenhados pela própria rede também
pode ser uma fonte de receitas (camisetas, bonés e outros
produtos promocionais podem não representar uma fonte
enorme de recursos, mas pode ser a diferença na despesa
de telefone ou na conta do provedor de acesso a internet),
- a comunidade de Pipa terá criatividade para encontrar
formas de valorizar o garatuí!