Índice (clique no título para
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I. Resumo
II. Palavras-chave
III. Introdução
IV. Conceito
V. Experimentação ativa
VI. Incubação de projetos
VII. Observatório de Redes Digitais e Midiáticas
(ORDeM)
VIII. Colaboratório de Mídias Digitais (CoLab)
IX. Certificação de Melhores Práticas
X. Governança e Gestão do SPiN
XI. Transparência e Disseminação de Conhecimento
XII. Propriedade Intelectual
I. Resumo
SPiN é uma rede digital interativa pública
estratégica para o desenvolvimento humano sustentável.
Sua dinâmica resulta da incubação de
projetos sociais, culturais e econômicos que respondam
a demandas originadas prioritariamente em áreas de
exclusão.
Os horizontes do desenvolvimento humano estão atualmente
condicionados pela capacidade das comunidades de produzir,
trocar e gerenciar conhecimentos por meio de novas tecnologias
de informação e comunicação.
SPiN é um laboratório de pesquisa-ação:
ao mesmo tempo servirá para a pesquisa e a produção
de indicadores sobre o desenvolvimento dessa sociedade da
informação e economia do conhecimento (por
meio de um Observatório de Redes Digitais e Midiáticas,
ORDeM) e como espaço efetivo de experimentação
social na busca de modelos inovadores e inclusivos de ampliação
das capacidades produtivas, colaborativas e gerenciais alavancadas
por redes digitais interativas (por meio de um Colaboratório
de Mídias Digitais, CoLab).
O projeto funciona portanto, ele próprio, como uma
rede de aprendizagem permanente e como um engenho de redes
voltadas para a ampliação das oportunidades
de capacitação de seus participantes (indivíduos
ou organizações).
Surge desse modo uma nova « potência cognitiva
» em rede que o Observatório precisa medir
e avaliar. E a construção do observatório
é ela própria um processo de mobilização
de comunidades interessadas em participar da construção
de redes transdisciplinares.
Entre os resultados, espera-se a otimização
no uso dos recursos instalados (redes digitais interativas)
mas também a identificação de tendências
e o debate em torno de políticas de desenvolvimento
da sociedade da informação e da economia do
conhecimento.
No caso brasileiro, várias políticas setoriais
de inclusão digital contam já com significativos
recursos públicos para investimento (FUST, Funtel,
recursos do Comitê Gestor da Internet, etc.) mas ainda
não se formularam políticas estratégicas
e o debate em torno de indicadores objetivos e cientificamente
construídos é raso. A construção
de redes digitais com finalidades específicas também
já se encontra em grau razoável de amadurecimento
(do Alternex à RITS muitas iniciativas foram desenvolvidas
nessa área, em todos os setores).
A mobilização é intensa, assim como
os confrontos entre grupos de ativistas, pesquisadores,
empresas e outros interesses em torno de fundos setoriais
e políticas estratégicas. Mas o investimento
em inteligência social das redes tem sido baixo, mesmo
nas universidades que desenvolvem projetos de inclusão
digital. A construção do SPiN tem como desafio
estratégico constituir-se como referência nacional
e internacional na identificação e crítica
de metodologias, indicadores e modelos de desenvolvimento
alavancados por tecnologias de informação
e comunicação em projetos sociais, econômicos
e culturais. O fato de a Cidade do Conhecimento ter alcançado
essa dimensão interdisciplinar e prática (por
meio de convênios com governos, ONGs, centros de pesquisa
e empresas) após menos de 2 anos de operação
é um fator determinante na elaboração
dessa proposta, o que é atestado pela quantidade
e qualidade das adesões ao projeto anexas a esse
documento. Do ponto de vista da mobilização
de comunidades de prática relevantes nesse contexto,
merecem destaque as participações no projeto
do Congresso de Informática Pública (CONIP),
na Rede de Pesquisa sobre Inteligência Coletiva (Pierre
Lévy, Canadá), no Observatório Paulista
de Tecnologia e Inovação (OPTI) e na feira
e congresso COMDEX, em que a Cidade inaugura um novo espaço,
o Geração Digital, que pela primeira vez inclui
os temas dessa agenda no maior evento do setor privado na
área de tecnologia da informação da
América Latina.
Usar as novas mídias digitais para a colaboração
na produção de conhecimento é um objetivo
estratégico que vai além da inclusão
digital no sentido habitual. Embora possa facilmente ser
identificada como uma iniciativa de “inclusão
digital”, o objetivo estratégico do SPiN é
promover, por meio da inclusão “no conhecimento”,
a multiplicação de oportunidades de resolução
de problemas sociais, a geração de emprego,
investimento e renda assim como a ampliação
dos espaços de valorização da identidade
cultural nacional.
O SPiN, como rede de incubação
e apoio a projetos alavancados por redes digitais interativas,
desenhando novas cadeias de produção de conhecimento,
já é identificada no Brasil e no exterior
como uma importante forma de promoção do desenvolvimento
econômico e social do país.
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II. Palavras-chave
Inclusão social e econômica
Incubação de redes digitais interativas
Inteligência coletiva
Experimentação permanente
Certificação de melhores práticas e
indicadores (“benchmarking”)
Pedagogia por projetos
Liberdade de informação e expressão
Socialização das ferramentas tecnológicas
Direito à comunicação
Produção de conhecimento e conteúdo
Aprendizado permanente
Ética, linguagem e racionalidade
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III. Introdução
A proposta de organização e coordenação
do SPiN surge como um desdobramento (“spin-off”)
do programa Cidade do Conhecimento do Instituto de Estudos
Avançados da Universidade de São Paulo (www.cidade.usp.br),
inaugurado em agosto de 2001 sob o patrocínio do
Ministério de Ciência e Tecnologia e desenvolvido
nos últimos 12 meses com recursos das secretarias
estaduais de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento
Econômico, da Educação, de Governo e
Gestão Estratégica, de Emprego e Relações
do Trabalho. O projeto foi financiado também pela
Secretaria de Educação, pela de Comunicação
e de Governo Eletrônico da Prefeitura Municipal de
São Paulo, assim como pelo SEBRAE-SP, IBM e SUCESU-SP.
A Cidade do Conhecimento tornou-se a responsável,
nos últimos dois anos, pela revisão metodológica
e avaliação de concorrentes ao Prêmio
de Excelência em Informática Aplicada aos Serviços
Públicos, de âmbito nacional, em evento setorial
de referência organizado pela SUCESU-SP (CONIP).
O aprendizado essencial do programa Cidade do Conhecimento
consiste na identificação novos modelos e
metodologias em que se combinam ferramentas de gestão
do conhecimento, educação a distância,
empreendedorismo e ativismo, software livre e incubação
de redes comunitárias.
O surgimento na USP dessa nova “rede de redes”
reflete o amadurecimento de várias das redes (nem
sempre digitais) já existentes no Estado de São
Paulo e no país, ao mesmo tempo em que promove um
salto qualitativo e quantitativo na criação
de oportunidades de educação, emprego, renda
e investimento em número expressivo de cadeias produtivas.
Do ponto de vista científico, a hipótese
que a fase piloto da Cidade do Conhecimento permitiu reforçar
é a de que a democratização dos meios
de comunicação gera oportunidades de desenvolvimento
econômico e social. Há portanto dimensões
éticas e regulatórias inelutáveis,
pois os contornos do que seja essa “democratização”
escapam a definições precisas.
Uma dimensão objetiva da democratização
dos meios de comunicação, no entanto, é
possível por meio de medidas quantitativas e qualitativas
da dinâmica dessas redes. O SPiN caracteriza-se portanto,
como já ocorre na Cidade do Conhecimento, como um
amplo laboratório de experimentação
de modelos virtuosos de dinamização de redes
de informação e comunicação.
Como o próprio laboratório funciona em rede,
fica batizado como “Colaboratório” no
SPiN.
A experimentação ativa com redes digitais
interativas constitui também uma interferência
transversal nos processos de comunicação social,
suas linguagens e modelos de produção, ou
seja, tem efeitos de mídia que contribuem para o
enriquecimento e a diferenciação da cultura
e das instituições nacionais. Se de fato as
organizações aprendem, como afirma a literatura
contemporânea sobre gestão do conhecimento
e cultura organizacional, então o desenvolvimento
de redes entre as organizações pode equivaler,
sobretudo por meio do adensamento de processos de educação
a distância, à criação de um
“colaboratório” de dimensões nacionais
e mesmo internacionais, espaço de aprendizagem permanente
mas também de renegociação permanente
de possibilidades de produção de bens, serviços
e valores.
Embora muitas dessas redes de base já expressem
políticas em curso (redes educacionais públicas
ou de execução e atendimento em políticas
públicas, como o Acessa São Paulo e o Poupa
Tempo no Estado de São Paulo ou ainda o Fome Zero
em todo o país), a organização de uma
rede de redes voltada à incubação de
projetos inovadores alavancados por tecnologias de informação
e comunicação coloca desafios de ordem sistêmica,
com potenciais efeitos positivos sobre a competitividade
das empresas, a qualidade da governança e a empregabilidade.
Está em jogo a formulação e a implementação
de políticas públicas estratégicas
com foco na sociedade da informação e no desenvolvimento
da economia do conhecimento, em particular a identificação
e mensuração de indicadores de redes digitais
interativas que propiciem melhores avaliação
e desenho de estratégias de desenvolvimento setoriais,
regionais e nacionais.
O adensamento e a melhoria contínua da organização
social em rede altera as referências de espaço
e tempo assim como a percepção estratégica
de indivíduos, empresas privadas, organizações
do terceiro setor e, no caso do SPiN, altera de modo significativo
o perfil de inserção das próprias universidades
e outros centros de produção de conhecimento
na sociedade.
Naturalmente essa construção cidadã
(ou seja, esse novo espaço de construção
da cidadania) implica questões relativas à
sua própria governança. Nessa etapa do projeto,
o controle e a coordenação de todo o processo
continuam centralizados no Instituto de Estudos Avançados
da USP, como atribuição do Diretor Acadêmico
da Cidade do Conhecimento.
O desenvolvimento da rede precisa, no entanto, incluir
como uma questão básica de pesquisa exatamente
o debate sobre os problemas de governança, regulação
e sustentabilidade financeira de redes públicas dessa
natureza. Trata-se de investir em P&D voltado para temas
de gestão, cultura organizacional e filosofia política.
Nesse sentido, é crucial sublinhar o que o SPiN
não é: não se trata de concentrar e
centralizar projetos e processos, criando uma espécie
de “central” nacional de incubação
de projetos. Cada projeto que coopera, associa-se ou acompanha
o SPiN mantém integralmente sua autonomia, identidade
e agenda. O SPiN atua como agente polarizador, ativador,
promotor de inovações por meio da ampliação
dos espaços de comunicação, não
como uma agência centralizadora.
A legitimidade do projeto SPiN, no entanto, é atestada
pela impressionante diversidade e pela densidade dos apoios
e adesões obtidas, documentadas em anexo a este projeto.
O desenvolvimento dessa nova rede pública é
a expressão de uma demanda qualificada, que resulta
de desenvolvimentos anteriores no sistema de inovação
paulista e brasileiro e que se torna possível com
os avanços da infra-estrutura de rede mesmo depois
do fim da bolha da “nova economia”. A rigor,
houve uma extraordinária expansão das iniciativas
públicas de desenvolvimento dessas redes, em todo
o mundo, movimento em que se inscreve o programa TIDIA (Tecnologia
da Informação para o Desenvolvimento da Internet
Avançada) da Fapesp.
O SPiN materializa-se também como condição
para que esse amadurecimento prossiga em direção
a maiores efeitos sociais e econômicos. Ao mesmo tempo,
a formação dessa rede constituir uma nova
instância pública de alta visibilidade e efeitos
potenciais em grande escala, sustentado por uma rede de
comunicação transparente.
O surgimento dessa rede com o apoio de importantes grupos
de mídia revela também que há uma percepção
empresarial de que há um capital social necessário
para que investimentos em comunicação tenham
impacto e retorno maiores e sustentáveis em qualquer
país.
A disseminação de redes de comunicação
amplia as fronteiras de desenvolvimento da indústria
cultural nacional. Face às evidências globais
de que esse é um dos setores em cujas cadeias produtivas
é possível agregar mais valor, revela-se a
natureza estratégica dos investimentos públicos
e privados na democratização dos meios de
informação e comunicação.
Embora não contemplado em detalhe nesse projeto,
o SPiN naturalmente tende a convergir com esforços
estratégicos em áreas afins. Não por
acaso, a Cidade do Conhecimento marcou o seu ciclo de debates
inaugural, em agosto de 2001, intitulado “São
Paulo Digital” com a Conferência Ibero-Americana
sobre a Sociedade da Informação, realizada
nos estúdios e no Salão do Conselho da Fundação
Padre Anchieta. Na oportunidade, já se concentrava
o foco nos horizontes da TV digital no Brasil e no espaço
geopolítico ibero-americano.
Por iniciativa do Ministério da Ciência e
Tecnologia, na Cúpula Ibero-Americana sobre a Sociedade
da Informação, realizada em Sevilha em março
de 2002, a Cidade do Conhecimento foi apresentada como o
caso mais avançado de inovações em
aplicações sociais das tecnologias de informação
e comunicação no desenvolvimento brasileiro.
É aliás crucial notar que o horizonte mais
amplo de desenvolvimento das redes interativas tem como
marco tecnológico a emergência do sistema de
televisão digital interativa, o amadurecimento de
novos padrões de uso na telefonia e o desenvolvimento
da indústria nacional de software e hardware, fronteiras
de desenvolvimento em que a cultura de uso, as linguagens,
os modelos de negócio e os padrões de financiamento
ainda estão por desenhar e implementar.
Nesse marco, políticas de renda e de demanda sustentáveis
e que estejam associadas a projetos sociais, econômicos
e culturais focados na difusão transversal de cadeias
produtivas de conhecimento são uma condição
necessária para o desenvolvimento equilibrado da
sociedade da informação. E a referência
geopolítica é também crucial pois se
trata também de redefinição das fronteiras
e participações relativas das diferentes línguas
no acervo digital global.
Para que essas novas políticas públicas possam
viabilizar-se é preciso construir não apenas
a infra-estrutura física, logística e tecnológica
(processo que já tem avançado) mas também
induzir a criação de indicadores e métricas,
conteúdos e interfaces, produtos e serviços
que adensem e enriqueçam elos estratégicos,
estruturantes da vida social.
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IV. Conceito
A imagem de um engenho de redes, usada no lançamento
da Cidade do Conhecimento do Instituto de Estudos Avançados
da USP, encontra no SPiN seu desdobramento mais concreto
e estratégico. O SPiN é um “spin off”
da Cidade do Conhecimento.
Trata-se de associar à existência de redes
digitais uma engenharia de produção de conhecimento
centrada em estratégias de incubação
de projetos colaborativos e respectivas comunidades virtuais,
potencializando os benefícios das mídias interativas.
A criação e o desenvolvimento de redes colaborativas
está assim firmemente ancorado em políticas
de produção de conteúdo no sentido
mais amplo. Esquematicamente:
redes colaborativas + projetos de conteúdo = engenharia
de produção de conhecimento
Mediada pela Universidade de São Paulo e logrando
um alcance crescente em outros Estados, essa política
de incubação de redes de conhecimento valoriza
o design participativo de tecnologias pois recorre a formas
democráticas de mobilização de indivíduos,
organizações e comunidades, interagindo simultaneamente
com o setor público, o setor privado, o terceiro
setor e instituições de ensino e pesquisa
(modelo quadripartite).
O projeto, que a partir de 2003 tornou-se um programa permanente
da USP e do IEA, é não apenas uma inovação
no campo do desenvolvimento de redes, pela sua forte ênfase
nos aspectos de organização social e econômica
subjacentes ao desenvolvimento da sociedade da informação,
mas funciona ele próprio como um pólo provocador
de inovações alavancadas por TICs.
Seja em programas que já funcionam como redes (tal
como o Acessa São Paulo ou a rede pública
de ensino), seja em atividades originais (como no Dicionário
do Trabalho Vivo desenvolvido em parceria com a Secretaria
de Emprego e Relações de Trabalho), a Cidade
do Conhecimento tem como objetivos estratégicos tornar
a disseminação das redes e da cultura digital
um elo crucial na modernização da economia
e da sociedade, ampliar os horizontes da produção
social de conhecimento e fomentar permanentemente a inovação,
entendida como condição necessária
para o desenvolvimento sócio-econômico e tecnológico
do país.
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V. Experimentação
ativa
Os projetos incubados em rede são campos de experimentação
e avaliação (testbeds) que produzem indicadores
de referência (melhores práticas, mapas de
conhecimento, métricas e inovações
em produtos e serviços) tanto nos campos específicos
de execução dos projetos quanto da perspectiva
mais ampla da compreensão das dinâmicas de
criação e desenvolvimento de redes digitais
interativas, produzindo assim conhecimento estratégico
para a revisão de políticas públicas
e estratégias privadas, com destaque para o governo
eletrônico e demais formas comunitárias de
expansão das tecnologias de informação
e comunicação. Esquematicamente:
experimentação ativa + avaliação
= melhores práticas e recomendações
políticas
É indispensável contextualizar a construção
dessas redes de conhecimento na evolução em
curso das formas de conhecimento (epistemologias voltadas
para ciclos de aprendizado social, com ampliação
de espaços públicos de racionalidade e mesmo
avaliação de hipóteses associadas ao
surgimento de uma “inteligência coletiva”)
e da linguagem (experimentação que vai das
cadeias de produção de software livre à
experimentação estética e conteudista
com linguagens eletrônicas e hipertextuais em multimídias
interativas).
A defesa da informação livre adquire nesse
contexto uma função crucial, pois a experimentação
com códigos e linguagens pressupõe o fortalecimento
dos espaços públicos e de livre acesso para
a construção de novos modelos. Impactos virtuosos
sobre cadeias produtivas de software e hardware são
esperados do desenvolvimento do SPiN, portanto é
crucial contar com incubadoras de software operando como
um “backoffice” em rede e habilitado com as
competências criativas e empreendedoras requeridas
pela dinâmica de incubação e desenvolvimento
de projetos alavancados por redes digitais.
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VI. Incubação de
projetos
O desenvolvimento de um sistema de incubação
de projetos em rede tem como pressupostos:
1. a expansão da oferta de infra-estrutura de redes
digitais públicas e privadas no país,
2. a existência de significativa capacidade ociosa
nessas redes,
3. a importância de articular políticas de
demanda no desenvolvimento de redes a estratégias
de formação de competências e de investimento
na capacitação nacional em elos cruciais de
pesquisa, desenvolvimento e comercialização
dos hardwares e softwares necessários, com ênfase
na promoção da cultura do software livre e
na internalização de P&D.
A incubação de projetos no SPiN tem como
resultado a criação de demanda sustentável
pelo uso dessas redes. Embora seja possível esperar
pelo desenvolvimento espontâneo da demanda por serviços
e produtos digitais e interativos, a experiência recente
sugere que além da dinâmica espontânea
dos mercados é importante construir horizontes de
investimento, culturas de utilização e oportunidades
de mercado por meio de políticas estratégicas.
O monitoramento de resultados e a difusão de melhores
práticas são cruciais. Ou seja, a incubação
é indissociável da formulação
de metodologias e indicadores.
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VII. Observatório de Redes
Digitais e Midiáticas (ORDeM)
A complexidade e a interdisciplinaridade inevitáveis
no desenho, na construção e na gestão
dessas redes sociais de aprendizado permamente exigem uma
ampla mobilização da opinião pública
e a capacidade, em cada organização envolvida
no processo, de abrir-se para a interação
com o contexto, confiando principalmente no potencial de
participar em externalidades e outros efeitos de rede cuja
mensuração e análise devem ser, também,
permanentes.
Para que se possa ao mesmo tempo desenvolver essa infraestrutura
e os processos de elaboração e implementação
de projetos de conteúdo é necessário,
portanto, dotar o programa de uma significativa capacidade
de pesquisa e desenvolvimento que, ela própria, funcione
como uma rede. As questões de governança,
transparência, sustentabilidade e planejamento são
parte essencial dessa dimensão de P&D, especialmente
no que se refere ao acompanhamento e interação
com mercados e instituições em outros estados
e países.
Esse papel será cumprido por um laboratório
de indicadores sócio-econômicos que funciona
como Observatório de Redes Digitais e Midiáticas
(ORDeM). A participação da Cidade do Conhecimento,
já por dois anos seguidos, como responsável
pela metodologia e avaliação do Prêmio
de Excelência em Informática Pública
(CONIP), sublinha a importância da atuação
dessa rede no campo da certificação de qualidade
e identificação de melhores práticas.
A associação com o Observatório de
Ciência e Tecnologia do IPT também garante
uma sinergia estratégica com a inteligência
do desenvolvimento do sistema de inovação
paulista e brasileiro.
No horizonte desenham-se políticas de convergência
e inclusão digital em novas infra-estruturas não
apenas de telecomunicações mas também
em praticamente todas as cadeias produtivas cujos ciclos
de inovação e desenvolvimento de produtos,
serviços e valores exigem sistemas midiáticos
continuamente diferenciados.
Tem sido notória a expansão em todos os tipos
de organização das atividades de gestão
do conhecimento e, de modo geral, de organizações
coletivas cada vez mais complexas cujo desenvolvimento é
condicionado pelo acesso à informação.
A difusão de práticas pedagógicas “construtivistas”
e “sócio-construtivistas” tem como eixo
estruturante a identificação de projetos inter
ou trans-organizacionais e também envolvendo formações
quadripartites (público, privado, terceiro setor
e academia).
Essa construção mediada por tecnologias de
informação e comunicação cria
oportunidades de redesenho do “contrato social”
que pressupõem a qualificação dos indivíduos
para atuar nesses espaços de linguagem. Há
portanto tensões de natureza ética no domínio
dessa linguagem, desses meios de comunicação
e dos conhecimentos e inovações produzidas
que devem ser permanentemente explicitadas e resolvidas.
A rede pode ser visualizada como linguagem em construção
e submetida a processos não-lineares de experimentação
e desenvolvimento. As fronteiras da rede são redesenhadas
não apenas pelo alcance das fibras e equipamentos,
mas pelas competências desenvolvidas pelos participantes
como autores e produtores de conteúdos nas mais variadas
linguagens e combinações de meios. Sem a pesquisa
e o desenvolvimento especificamente voltados para a inovação
no campo das linguagens o aproveitamento da rede será
sub-ótimo e o seu usufruto será limitado ou
passivo. Em resumo, cabe também ao Observatório
a identificação e implementação
de experimentos de ordem simbólica, sem o que não
há produção de cultura.
As dimensões éticas e estéticas são
indissociáveis de um desenvolvimento sustentável
e inovador das redes, cabendo ao Observatório o desafio
de abordar esses temas, sugerir projetos estratégicos
nesses campos e também, como parte de uma política
permanente de investimento em transparência e legitimidade,
jamais perder de vista as dimensões políticas
inerentes à constituição de espaços
públicos.
É importante sublinhar que o conceito de “conhecimento”
implícito nos projetos incubados ou apoiados pelo
SPiN precisa ser submetido a uma crítica contínua,
daí a importância das universidades e centros
de pesquisa de excelência na mediação
dos projetos desenvolvidos em parceria com o SPiN.
De modo bastante amplo, no entanto, é possível
definir “conhecimento” nesse projeto como “habilidade
de agir para resolver problemas”. Assim sendo, a gestão
dessa rede de conhecimento fundamenta-se fortemente na idéia
de que todas as tecnologias da informação
e comunicação e outras atividades off-line
(não virtuais) desenvolvidas no âmbito do SPiN
somente devem ser implementadas se tiverem o potencial para
melhorar a habilidade de se agir para resolver problemas.
Mas como se melhora a habilidade de agir dos indivíduos
e, depois, como pode ela ser objeto de uma medida?
Os indivíduos transformam-se através de experiências
que afetem suas habilidades, comportamentos e recursos cognitivos.
No mundo das organizações isto nem sempre
é possível ou nem sempre é viável
do ponto de vista financeiro – embora seja desejável.
Uma das metas principais deste projeto é oferecer
por meio de uma rede pública mais oportunidades para
que essa relação custo/benefício do
desenvolvimento de capacidades cognitivas seja eficaz -
em particular utilizando-se as TICs - para melhorar a habilidade
de aprender e agir para resolver problemas (e de fato desempenhar
atividades de aprendizagem continuamente, para que os atos
sejam modificados com a inovação e a experiência).
Um princípio fundamental desse projeto é a
percepção de que a mudança social e
econômica, assim como em muitas outras dimensões
da mudança humana, depende principalmente da quantidade
e qualidade da demanda por tal mudança (supostamente
em prol de uma melhoria geral nas condições
de vida).
Como se trata de processos de inovação estimulados
pela emergência das novas mídias digitais interativas,
há uma linha de frente daqueles que darão
o primeiro passo para a transformação que
poderá ser crítica ao surgimento de novas
oportunidades de desenvolvimento.
As relações entre a linha de frente de participantes
desses projetos em rede (estudantes, trabalhadores, empresários,
pesquisadores, etc.) e as comunidades e organizações
das quais em última análise dependem definem
as fronteiras de expansão na sociedade da informação
e na economia do conhecimento. Cabe ao Observatório
identificar e medir continuamente sua eficiência em
termos da intensidade dessa onda de difusão de novas
práticas interativas.
Assim, além de proporcionar pontos de ligação
e elos mais densos entre os “incluídos”
e os “excluídos” como condição
necessária para o desenvolvimento de capital humano,
intelectual e social numa sociedade inovadora, o SPiN oferecerá
indicadores tangíveis de como promove essa mudança
em seu próprio Colaboratório. O projeto alavanca
e fomenta ao máximo elos multifacetados que direta
ou indiretamente afetam os padrões de geração
e difusão de inovação e conhecimento
e, ao mesmo tempo, promove o desenvolvimento de indicadores
e metodologias necessários para que esses elos sejam
corretamente identificados e avaliados.
Pesquisas e projetos na área de gestão do
conhecimento sugerem que é possível melhorar
o acesso às fontes do conhecimento a cada passo do
processo de inovação nas organizações
e nas comunidades. Independentemente da natureza da área
do conhecimento, as fontes de conhecimento podem ser classificadas
em quatro grupos-chave:
1. especialistas;
2. comunidades;
3. conteúdo;
4. sistemas e aplicações (conhecimento embutido).
Mais e melhor acesso a todas essas fontes de conhecimento
podem ser proporcionados ou alavancados através da
utilização das tecnologias de informação
e comunicação (TICs). Além disso, desenvolvimentos
recentes nas TICs e, em particular, nas tecnologias de portais
oferecem fortes capacitações para colocar
e retirar conteúdo e customizar e /ou personalizar
o modo como cada indivíduo recebe e processa informações,
aplicações e desenvolve trabalho em rede com
outras pessoas que compartilham interesses e desafios comuns.
Portanto, uma dimensão crucial é do projeto
é sua capacidade de ampliar as oportunidades de customização
e/ou personalização de softwares e metodologias
para que cada projeto seja administrado de acordo com as
necessidades dos diferentes públicos, organizações
e indivíduos.
A administração de portais pode ser centralizada
ou descentralizada dependendo da necessidade de espaço
para cada projeto participante. As novas tecnologias, portanto,
podem ser ajustadas às idéias de produção
e gestão do conhecimento centrais ao SPiN. O acesso
a especialistas, às comunidades, à informação
e ao conteúdo relevantes e aos sistemas e aplicações
estratégicos devem portanto ser condicionados pelas
demandas locais o que aliás é potencialmente
mais apropriado ao seu desenvolvimento.
Como cenário ideal, surgiria uma sociedade onde
cada passo do processo de inovação poderia
contar com empresários, ONGs, comunidades locais,
grupos de pesquisa e outras fontes de colaboração.
Na prática, o uso das redes para resolver problemas
será avaliado e medido.
Novamente, não se trata de concentrar o controle
do conteúdo nem das plataformas usadas por todos
os integrantes da rede para desenvolver seus projetos. Ao
mesmo tempo, o desenvolvimento de plataformas experimentais
pode encontrar no SPiN um espaço de avaliação
e teste plural e cientificamente demarcado.
Finalmente, é importante sublinhar que além
de contar com a cooperação dos envolvidos
no projeto em rede, os participantes exercitam habilidades
e metodologias que valorizam também o conhecimento
tácito e outras dimensões reflexivas associadas
à vida na sociedade da informação.
A identificação e medida de riscos de saúde
e trabalho associados aos novos imperativos cognitivos e
colaborativos são portanto elemento crucial da agenda
do Observatório do SPiN.
Esse conjunto de preocupações que afinal
constituem uma agenda de pesquisa do SPiN, a ser desenvolvida
no âmbito de seu Observatório, exige estratégias
de avaliação para cada atividade e para o
projeto como um todo, colocando em primeiro plano o sistema
de informação do próprio SPiN que deve
ser dinâmico e capaz de conectar uma ampla gama de
atividades e processos, assim como também pesquisa
off-line, qualitativa e etnográfica.
Cabe ao Observatório gerenciar a infra-estrutura
digital do SPiN ao mesmo tempo em que, de modo transparente,
expõe a rede para julgamento externo e com a ambição
de criar benchmarks globais.
Para atingir esse nível de exposição
e portanto impactar de modo eficaz a sociedade brasileira,
as redes para distribuição de informação
geradas no SPiN (inclusive capacitações digitais
de transmissão via Internet – webcasting) devem
ser muito densas, ter uma forte presença no território
nacional bem como alcance global diversificado e autêntico
(o que será alcançado com base numa infra-estrutura
adequada de rede e processamento de mídias digitais,
assim como através dos acordos de cooperação
em anexo).
O SPiN é formado por uma aliança de capacitações
de pesquisa e desenvolvimento com incubação
real de projetos sociais e tecnológicos reais. A
fim de corresponder fielmente às responsabilidades
investidas no SPiN por esta comunidade de projetos associados,
total responsabilidade é condição primordial
para a implementação bem sucedida deste projeto.
O Observatório do SPiN será o gerador de
conteúdo interno e gestor de mídia digital
para a rede e terá como meta produção
máxima de conteúdo externo na rede. O índice
de geração de conteúdo variando de
interno a externo, por exemplo, é uma primeira aproximação
de um exemplo de indicador que o Observatório produzirá
e publicará com regularidade. Como unidade de pesquisa,
a principal meta do Observatório é aprimorar
e inovar os indicadores continuamente, assim contribuindo
para um retorno virtuoso no processo de avaliação
e para a promoção das melhores práticas.
A documentação é a ferramenta estratégica
para a avaliação. A capacidade de planejar,
produzir e captar a rede viva que continua em cadeias de
produção de conhecimento deve ser construída
dentro da arquitetura do sistema da informação.
Para avaliar, é necessário observar e coletar
evidências.
Como parte da infra-estrutura de avaliação
do projeto SPiN, a equipe de pesquisa do Observatório
deve ter uma infra-estrutura de capacitação
correspondente a fim de qualificar os próprios participantes
das redes a produzir informações e conhecimento,
tornando-os também produtores de suas memórias
digitais de realizações sociais e econômicas.
Este processo possibilita a formação de comunidades
de prática e contribui para a melhoria na relação
externa/interna de produção de conteúdo
na rede bem como em cada uma das comunidades formadas no
ambiente do projeto SPiN. Em outras palavras, o próprio
SPiN deve provocar um efeito de multiplicação
de subprodutos (novos “spin-offs”) associado
à sua existência. A medição do
“spinoff” do SPiN é uma meta-chave do
Observatório do SPiN.
Mais especificamente, o processo de avaliação
deve basear-se em indicadores compatíveis com indicadores
internacionais de infra-estrutura da sociedade da informação.
Para produzir este tipo de informação a equipe
do SPiN também terá que coletar dados relevantes
das estimativas da dimensão das lacunas existentes
e potenciais na infra-estrutura das comunicações,
inclusive de indicadores. Também é verdade
que, paralelamente ao conteúdo produzido pelas comunidades,
a natureza do processo de incubação deve ser
tal que ao longo do processo aumente o peso relativo do
conteúdo oferecido pelos parceiros da rede. A incubação
de projetos em rede terá êxito se e somente
se houver evidências convincentes de que seu alcance
produtivo está se expandindo.
Dentre os macro-indicadores, o Observatório observará
o estado de desenvolvimento da infra-estrutura de comunicações
assim como as tendências em investimentos, receitas
e fluxos de tráfego nos públicos alcançados
pelas ações do SPiN. O apoio da Fundação
SEADE (Sistema de Dados do Estado de São Paulo),
do CONIP (Congresso de Informática Pública),
do IPT e do OPTI (Observatório Paulista de Tecnologia
e Inovação) assim como a participação
da Cidade do Conhecimento na coordenação do
capítulo sobre tecnologias de informação
e comunicação no Relatório de Indicadores
da Fapesp são também garantia de que será
obtido um alcance máximo dos indicadores e avaliações
do Observatório.
Mas não é somente uma questão de maximizar-se
o número de dados quantitativos. É necessário
ter-se uma perspectiva histórica e uma compreensão
básica dos estágios de desenvolvimento da
evolução da internet. Nosso propósito
é o de organizar o SPiN como um exemplo concreto
que reflita a hipótese de que sem instâncias
de inteligência coletiva a infra-estrutura de comunicações
perde sentido.
De acordo com os esquemas dominantes no cenário
internacional , os mercados de comunicações
devem passar por uma série de estágios para
avançar na “revolução da internet”:
1. infra-estrutura
2. software e serviços
3. conteúdo relevante
4. b2b (e-commerce)
5. b2c (e-commerce)
6. multimídia
A convergência e o desenvolvimento da conectividade
em banda larga são os últimos estágios
previstos para que essa “revolução da
internet” possa beneficiar os que enfrentam o desafio
de tornar-se membros de um mundo em rede. A forte proximidade
das universidades associadas ao SPiN com os mais avançados
laboratórios de Internet2 no Brasil são portanto
uma condição de sucesso adicional no sentido
de impulsionar o desenvolvimento brasileiro nessa direção.
No entanto, é necessário produzir os indicadores
nesta importante questão de desenvolvimento para
avaliar completamente a contribuição da rede
de incubadoras ao desenvolvimento da sociedade da informação
e da economia do conhecimento no Brasil. Esta é uma
pauta que já está presente nos importantes
centros de excelência em várias disciplinas
na USP, na Unicamp, na UNESP, na PUC-SP e em outras instituições
universitárias em todo o Brasil associadas ao SPiN
e que integrarão o seu Observatório.
A equipe do Observatório será beneficiada
pelo contínuo e intenso intercâmbio técnico
com estas comunidades de colaboradores em inúmeras
áreas de pesquisa e de professores de diferentes
áreas focando os efeitos tecnológicos, econômicos,
sociais, políticos e culturais da nova mídia
na sociedade da informação. Na verdade, esta
rede também será um veículo extraordinário
para que estes profissionais ampliem o alcance de seu conhecimento
em projetos cooperativos de produção de conteúdo
com lideranças sociais, empresariais e políticas.
Registros etnográficos destes intercâmbios
também contribuirão para o processo de avaliação
e de criação de conhecimento do SPiN.
Como este é um projeto com múltiplas facetas,
apoiadores que assumem riscos e beneficiários diretos
e indiretos, buscando resultados no desenvolvimento local
mas também efeitos micro, meso e macro econômicos,
a avaliação de seu desempenho deve utilizar
uma abordagem multidisciplinar. A avaliação
será uma preocupação contínua
no decorrer do projeto. Incluirá critérios
de avaliação amplos e focados. Indicadores
qualitativos e quantitativos serão utilizados, inclusive
sistemas de votação via internet em tempo
real. Especial atenção será dada à
produção de conhecimento e de práticas
de compartilhamento de conhecimento.
O projeto SPiN será avaliado interna e externamente.
Internamente, a Cidade do Conhecimento e seus parceiros
gerenciarão o projeto utilizando um sistema especialmente
projetado. A crítica externa virá de representantes
dos parceiros e de pesquisadores que integrarão um
Conselho Consultivo, cujos membros internacionais já
confirmados são:
SPiN - Conselho Consultivo Internacional – 2003/2004
1. Mitsuhiro Kagami, IDE-JETRO, Japão
2. Pierre Lévy, Cadeira de Inteligência Coletiva
do Canadá
3. Myriam Diocaretz, Infonomics Institute, Holanda
4. Nitin Sawhney, ThinkCycle, Digital Nations, Media Lab,
MIT
5. Arvind Lodaya, Bangalore, Índia
6. Henry Jackelen, PNUD, Paraguai
7. Martin Hilbert, CEPAL – ONU, Chile
O Conselho reunir-se-á uma vez por ano, por ocasião
de uma conferência internacional no Brasil. Caberá
ao Observatório subsidiar essa avaliação
com as informações necessárias. O sistema
de avaliação terá um foco estratégico
no impacto do projeto sobre os parceiros (já selecionados
durante a fase de planejamento, no primeiro semestre de
2003).
Isso significa que embora sejam acumulados continuamente
relatos de atividades e outros produtos tangíveis,
os indicadores e análises mais importantes serão
focados no público-alvo das redes incubadas. Afinal,
este é um projeto norteado por suas demandas e os
indicadores devem refletir esta prioridade. Também
é importante ressaltar de antemão que diferentes
grupos-alvo serão afetados diferentemente pelo projeto.
Assim, o sistema de avaliação será
segmentado conforme apropriado. Ao mesmo tempo, a observação
e a avaliação estarão integradas a
uma rede internacional de pesquisa que conta, entre outras
parcerias, com um acordo de cooperação com
a Cadeira de Inteligência Coletiva do Canadá.
Quanto mais direto o impacto esperado, mais detalhado o
plano de avaliação. Por exemplo, ao focar
um projeto incubado estrategicamente na rede, muitas entrevistas
na razão de 1:1 serão realizadas e documentadas.
A mesma abordagem não teria um custo/benefício
tão eficiente para comunidades–alvo mais amplas
que estarão envolvidas como projetos associados ou
potenciais ou mesmo em eventos de curta duração
(por. ex. estudantes universitários ou comunidades
envolvidas em seminários eventuais).
Finalmente, e talvez de modo mais importante, este sistema
de avaliação do projeto no âmbito do
SPiN posiciona-se como um processo-chave para assegurar
o compartilhamento máximo de resultados com todas
as partes envolvidas (não somente a equipe do projeto)
e a melhoria das suas fases subseqüentes de desenvolvimento.
As seguintes técnicas de avaliação
serão utilizadas (a intensidade de uso dependerá
do grupo-alvo e dos objetivos específicos conforme
a natureza do projeto incubado):
1. Pesquisas
Uma amostra de grupos-alvo e usuários será
requisitada para avaliar relevância, qualidade e impacto
direto e indireto após cada passo chave do projeto
e/ou depois que cada produto for entregue. Tanto pesquisas
off-line quanto on-line serão utilizadas. Os resultados
de cada pesquisa serão disponibilizados on-line imediatamente
após os resultados serem recebidos. A idéia
por trás deste procedimento não é somente
de aumentar a transparência do projeto, mas também
de promover discussões contínuas com as comunidades-alvo.
Fóruns on-line serão realizados para discutir
os resultados do projeto e promover ensino e melhoria progressivos.
2. Entrevistas Detalhadas
Todo o projeto será avaliado trimestralmente através
de entrevistas detalhadas de estudos de casos conduzidas
por pesquisadores experientes. Estes estudos de casos fornecerão
uma compreensão detalhada do impacto direto do projeto
na atividade por ele gerada. Os estudos de casos também
resultarão em dois outros importantes subprodutos:
a. Serão utilizados como material para cursos, desenvolvimento
de conteúdo e também para promover os benefícios
do projeto e para atrair público;
b. Assim como as pesquisas, as entrevistas serão
utilizadas (após consentimento dos entrevistados)
para discussões progressivas sobre a evolução
da rede SPiN e de cada projeto incubado.
3. Conexões On-line.
Um dos benefícios diretos relativos ao uso das tecnologias
de informação e comunicação
é a possibilidade de desenvolver mecanismos instantâneos
de rastreamento de todas as atividades on-line (inclusive
comportamento do usuário, em detalhe). Para uma parte
dos projetos em rede, pelo menos, será possível
gerar relatórios com base nos conteúdos e
aplicações utilizados e no comportamento virtual
dos grupos de usuários. A privacidade do comportamento
individual virtual será, no entanto, rigorosamente
garantida.
4. Avaliação após Seminários
Os participantes deverão responder a avaliações
após seminários, processos de treinamento
e demais eventos. Serão feitas questões quantitativas
e qualitativas. Assim como em outras técnicas de
avaliação destacadas acima, e no espírito
de completa transparência, o resumo da avaliação
de cada uma destas atividades será disponibilizado
on-line para fomentar discussões e melhoria progressiva.
5. Revisões Trimestrais.
Relatórios trimestrais de revisão do projeto
serão emitidos pelo Observatório. Muitas informações
serão utilizadas para gerar estes relatórios,
incluindo utilização de conteúdo e
aplicações virtuais, presença nos workshops
e sessões de treinamento, fóruns virtuais,
número de comunidades virtuais, adesão de
diferentes instituições de sociedade civil,
ONGs, universidades, resultados de campanhas de marketing
etc.
6. Indicadores e temas estratégicos
O que se segue é um conjunto de indicadores e temas
estratégicos de P&D que norteará a pauta
e contribuirá para a constituição do
sistema de avaliação integrada ao Observatório
do SPiN:
• Indicadores externos de rede
• Energia de
uma rede
• Força
de uma conexão social
• Distância
geodésica entre nós
• Variabilidade das distâncias geodésicas
em uma rede
• Excentricidade de um nó
• Diâmetro de redes
• Coesão de nós
• Centralização Gráfica
• Afastamento de um nó
• Índice de Centralização Aproximativa
de uma Rede
• Centralidade Inter-relacional
• Promoção de pesquisa e desenvolvimento
de software
• Segmentação, estruturas de rede e
economias de rede
• Regulamentação e condições
de entrada enfrentadas pelos projetos incubados
• Participação de redes de propriedade
intelectual
• Impacto na alocação em espectro e
convergência digital
• Produto em termos de planos de negócios e
projetos de desenvolvimento
• Indicadores financeiros (perfis das verbas e inovações
financeiras)
• Mapeamento do conhecimento e demografia das comunidades
de prática
• Produto e marca da multimídia etnográfica
• Cobertura da imprensa e estratégias de marca
(Selo SPiN)
• Estratégia competitiva e comportamento organizacional
• Marketing e governança corporativa
• Indicadores de habilidades de negociação
• Inovações na gestão e finanças
dos projetos alavancados pelas TICs
• Indicadores de transferência de conhecimento
(serial, próxima, distante, estratégica, experiente)
• Banco de dados e indicadores de distribuição
de melhores práticas
• Identificação e promoção
de redes informais (conhecimento tácito)
• Índices de liderança e de inovação
• Promoção e mapeamento de ciclos de
conversão de conhecimento
• Índices de sobrevivência de companhias
incubadas (crescimento e sustentabilidade)
• Indicadores de aprendizagem permanente (estratégias
de retenção e de substituição,
estratégias de capacitação, criação
de artefatos e inteligência artificial)
• Inovações e perfil geral de projetos
incubados (business webs)
• Sistema de auto-avaliação e de avaliação
baseada na comunidade
• Promoção e mapeamento de equipes virtuais
de conhecimento
• Indicadores de memória e de identidade nas
arquiteturas de rede
• Produtividade e distribuição de conhecimento
em pacotes
• Cadeias dinâmicas de valor em projetos incubados
• Valor agregado digital e índices de produtividade
• Índices de relação e comunicação
em projetos incubados
• Exercícios de planejamento formais do cenário
• Inteligência exploratória do mercado
• Mapeamento das práticas de gestão
de risco
• Sistema integrado de indicadores de capitais digitais,
sociais, humanos, intelectuais, técnicos e culturais
da rede (abertura, variedade, densidade, etc.)
• Ergonomia cognitiva
• Inteligência emocional, formal e prática
na rede
• Mapeamento das fases e fluxos de trabalho (central
e suporte) na rede (peso relativo de geração
de idéia, implementação e transição
para o mercado, detalhado em termos de modelo de negócio,
gestão do projeto, exigências, análise
e design, implementação, teste e desdobramento
e repasse, riscos cognitivos e trabalhistas)
• Índice de reutilização de componentes
e módulos no SPiN e em seus projetos incubados
• Médias de alavancagem (subprodutos financeiros
e técnicos do SPiN)
• Força-tarefa global de benchmarking
• Collective Intelligence Mark-up Language (CIML)
A elaboração de um sistema preciso de indicadores
e sua avaliação contará ainda com a
parceria do Observatório Paulista de Tecnologia e
Inovação (OPTI), assim como do Núcleo
de Política e Gestão Tecnológica (PGT/USP,
reconhecido como de excelência acadêmica pelo
PRONEX - Programa de Apoio a Núcleos de Excelência
do Ministério de Ciência e Tecnologia e com
apoio da FAPESP - Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo) e do CONIP (Congresso
de Informática Aplicada a Serviços Públicos).
Essas parcerias integram o núcleo de projetos estratégicos
e seu modus operandi é detalhado em anexo para cada
um dos parceiros.
Economia do Conhecimento e Desenvolvimento Sustentável
Aspecto decisivo da atividade de P&D interna ao Observatório
do SPiN é o da busca de sustentabilidade financeira
das redes colaborativas, sobretudo as que estão associadas
a projetos comunitários, ações de responsabilidade
social e políticas de desenvolvimento econômico
local.
Entendido como uma rede cuja expansão social e econômica
afetará a dinâmica das organizações
envolvidas, ampliando oportunidades de emprego, renda e
investimentos, o SPiN não pode prescindir de uma
inteligência competitiva que produza não apenas
indicadores de tendências de financiamento ao desenvolvimento
como procure influenciá-las em termos de desenho
e avaliação que leve em conta os efeitos da
sociedade em rede e da economia do conhecimento.
Da disseminação e educação
continuada sobre programas de financiamento à inovação
da própria Fapesp (como o PIPE) à formulação
de propostas no campo do microcrédito e do desenvolvimento
de um mercado de capitais sensível às dimensões
do capital intelectual, social e humano (cada vez mais presentes
já nos indicadores e programas de organismos multilaterais
de crédito e financiamento ao desenvolvimento), o
SPiN envolverá grupos de pesquisa das áreas
de gestão de sistemas de inovação e
gestão do conhecimento, economia do aprendizado e
microfinanças da USP e de outras instituições
paulistas e brasileiras.
Na esfera federal, em que necessariamente se decide a regulamentação
financeira no país, o diálogo sobre o tema
já está em curso com técnicos do Sebrae,
Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Central.
A associação ao SPiN das incubadoras empresariais
do Estado de São Paulo, sob a coordenação
do CIETEC em parceria com a INCAMP (Incubadora da Unicamp)
e a UNIVAP oferece uma oportunidade única de observação
e apoio ao desenvolvimento de empreendimentos tecnológicos
nos aspectos de economia de redes e sustentabilidade financeira.
A integração e implementação
de projetos promoverá também um fluxo de recursos
captados descentralizadamente. Além dos aspectos
operacionais de tesouraria associados à gestão
desses recursos, será necessária uma inteligência
de aspectos jurídicos (propriedade intelectual, celebração
de convênios de cooperação) e o amadurecimento
de regras de captação (recolhimento junto
aos parceiros de taxas de contribuição ou
manutenção e participações).
Essas condições financeiras ou mais bem “tributárias”
de associação à rede por meio de projetos
incubados serão definidas gradualmente, caso a caso,
sempre priorizando a transparência e a abertura a
inovações organizacionais e de engenharia
financeira.
Assim, o núcleo de inteligência e inovação
financeira mantido pelo Observatório contribuirá
para a incubação das redes e sua integração
a iniciativas já em curso na área de microcrédito,
políticas de renda, crédito seletivo e desenvolvimento
do mercado de capitais, além de investir na continuidade
e sustentabilidade do próprio SPiN.
Com base no conhecimento gerado na rede são alavancados
projetos inovadores, favoráveis ao desenvolvimento
local integrado e sustentável. O conhecimento sobre
a própria rede, por sua vez, produz indicadores de
risco e retorno que servirão como parâmetros
em operações de crédito e captação
de recursos nos mercados de capitais do país e do
exterior, assim como em agências de fomento e fundos
setoriais para pesquisa, cultura, ciência, tecnologia
e educação.
(voltar índice)
VIII. Colaboratório de
Mídias Digitais
A experimentação com tecnologias colaborativas
e a pesquisa sobre novas formas de interação
e cooperação no desenvolvimento de projetos
de desenvolvimento local e global ocorreu, na prática
da Cidade do Conhecimento ao longo dos últimos 2
anos, por meio da mobilização de equipamentos,
laboratórios, auditórios e recursos humanos
de inúmeros setores da USP.
A dimensão alcançada pelo projeto e as necessidades
de processamento de mídias digitais a ele associadas,
no entanto, colocam nesse momento um estrangulamento de
infra-estrutura computacional (hardware e software), em
especial aquela destinada especificamente ao processamento
de volumes crescentes de listas, fóruns, bases de
dados e gestão de projetos.
É crucial sublinhar que todas as possibilidades
de mensuração e avaliação dos
projetos repousam em última análise sobre
a qualidade e confiabilidade dessa infra-estrutura computacional.
É portanto incluída, na proposta SPiN, uma
solicitação de recursos para investimento
nesse upgrade da capacidade de processamento e realização
de projetos.
Esse investimento permitirá a criação
de um Colaboratório de Mídias Digitais (CMD),
em rede, instalado e coordenado pelo Instituto de Estudos
Avançados em parceria com o Depto. de Cinema, Rádio
e Televisão CTR, responsável pelo curso superior
do audiovisual da Escola de Comunicações e
Artes da USP e integrando uma rede com escolas, museus,
parques, centros de saúde e outros espaços
públicos de acesso estratégico à rede.
O upgrade no parque informático da Cidade do Conhecimento
não significará a criação de
mais um núcleo de equipamentos isolado na universidade,
mas representará a instalação de uma
capacidade de produção e interação
com todos os outros laboratórios, infocentros e organizações
que já se conectaram à Cidade do Conhecimento,
aprofundando portanto a sua capacidade de incubação
e difusão de redes de projetos e resultados. Ao mesmo
tempo, é uma garantia de que o SpiN contará
com a infra-estrutura necessária à própria
experimentação com linguagens.
(voltar índice)
IX. Certificação
de Melhores Práticas
O nó articulador da rede SPiN é portanto
ele próprio uma rede de pesquisa sobre dinâmica
de redes (com seu observatório de redes e seu “colaboratório”)
que tem nos resultados dos projetos incubados um objeto
empírico específico para pesquisa. Assim,
sobrepõe-se à engenharia de produção
de conhecimento em rede uma função de pesquisa,
desenvolvimento e certificação.
O resultado mais visível da operação
dessa rede é a produção de conteúdos
digitais de alta qualidade em língua portuguesa que
contribuem para o adensamento das trocas de informação,
conhecimento e projetos relevantes local, regional e nacionalmente
na internet brasileira.
Em particular no campo da educação e da cultura,
a participação da Secretaria de Cultura do
Estado de São Paulo, por meio de investimentos na
formação de uma rede de artistas associados
ao Colaboratório de Mídias Digitais, em parceria
com museus (Paço das Artes, Museu da Imagem e do
Som) e com os núcleos e laboratórios que nas
várias universidades fazem pesquisas sobre linguagem,
do Laboratório de Antropologia da Imagem da USP aos
realizadores do CTR (criadores, diretores de cinema e TV,
roteiristas, fotógrafos, etc.), passando por grupos
que atuam fora das universidades.
Adicionalmente, é crucial notar que o anseio de
expressão cultural revelou-se como uma demanda muito
forte entre os projetos elaborados por monitores de infocentros
(Acessa São Paulo), telecentros (PMSP) e escolas
de informática e cidadania (EICs do CDI) que participaram
do programa Gestão de Mídias Digitais. A associação
com o MAC, o MAM e o Itaú Cultural também
fortalece o florescimento de atividades de natureza cultural,
estética e de entretenimento de qualidade induzidos
pelo SPiN.
Operando como pólo integrador, avaliador e certificador,
o SPiN produz também recomendações
visando o aperfeiçoamento e a inovação
contínuas tanto para as políticas públicas
quanto para as estratégias privadas afetadas, implicadas
ou incluídas tanto nos projetos incubados quanto,
de modo mas amplo, pelo contexto atual de aplicações
sociais, econômicas e culturais das tecnologias de
informação e comunicação. De
softwares a produtos e serviços culturais, um Selo
SPiN será um indexador de qualidade e um instrumento
de benchmarking global.
A gestão do próprio SPiN será necessariamente
alvo de negociações em torno de convênios
legítimos, transparentes e flexíveis o suficiente
para propiciar a mais ampla participação de
indivíduos e organizações de todo o
país no desenvolvimento dessa rede de redes. Desse
ponto de vista, o SPiN tende a se afirmar como referência
na formulação de políticas estratégicas
de desenvolvimento da sociedade da informação
e da economia do conhecimento no Brasil.
Finalmente, é crucial sublinhar que a inclusão
de cidadãos em ambientes de rede por projetos representa
a configuração de um amplo espaço público
de aprendizado permanente, promovendo não apenas
o desenvolvimento das competências funcionais e cognitivas
próprias ao trabalho em redes digitais (condição
de empregabilidade) mas também o espírito
colaborativo, a apreciação da informação
livre e da liberdade de expressão, o exercício
do direito à comunicação e a difusão
de práticas solidárias, de voluntariado e
cooperação na busca de soluções
duradouras para os desafios sociais, econômicos e
humanitários com que se defronta a sociedade brasileira.
(voltar índice)
X. Governança e Gestão
do SPiN
Como “spin off” da Cidade do Conhecimento,
a rede SPiN começa fortemente centrada no Instituto
de Estudos Avançados da USP, sob a direção
acadêmica do Prof. Dr. Gilson Schwartz e subordinada
diretamente ao Conselho Deliberativo do IEA.
Esse modelo inicial de gestão será necessariamente
criticado e amadurecerá através do diálogo
entre os principais atores envolvidos. A organização
desse debate e a formulação de subsídios
conceituais à criação de formas democráticas
e eficientes (ágeis e flexíveis) de gestão
do SPiN será uma atribuição do Observatório
(na medida em que se assegura o tema da governança
da rede na sua agenda de pesquisa) e estará alinhada
ao debate nacional e internacional sobre modelos de gestão
de sistemas de inovação e incubação
de projetos. O mesmo vale para cada um dos projetos incubados,
cujos resultados organizacionais e econômicos terão
desafio análogo ao SPiN: buscar modelos inovadores
de sustentabilidade administrativa, econômica e financeira.
Em seu primeiro momento, a rede SPiN contará com
um Conselho Orientador (CO) e com um Comitê Gestor
(CG) cujos integrantes são discriminados em anexo.
Etapas de Incubação
Há 3 modalidades de incubação: projetos
estratégicos, associados e potenciais (observadores
e apoiadores). Essa divisão permite integrar ações
concretas a vários níveis de participação
e aprendizado, deixando a rede permanentemente aberta para
novas possibilidades de interação e mesmo
de identificação de rotas estratégicas
onde antes havia apenas um interesse difuso. A geração
de “spin-offs” entre as várias órbitas
de participação será também
um movimento monitorado e convertido em indicadores de dinâmica
na rede.
Os projetos estratégicos são os que se beneficiarão
diretamente dos recursos financeiros captados, em particular
da transferência a ser realizada pela Fapesp. Concentram-se
na constituição de uma infra-estrutura computacional
e informacional comum, assim como na realização
de dissertações e teses, elaboração
de material didático e produção de
mídias que atenderão ao conjunto dos projetos
incubados no SPiN. Representam ainda investimentos em pesquisa
e avaliação de experimentos cruciais em cada
um dos eixos temáticos estruturantes.
Os projetos associados são aqueles em que não
há desembolso específico de recursos ou investimento
em infra-estrutura adicional mas sobretudo o estabelecimento
de convênios de troca de informações,
comparação de práticas e metodologias,
acesso a dados e acervos de cada um dos parceiros, assim
como o acesso em condições privilegiadas de
participação a atividades de pesquisa e desenvolvimento
do SPiN (seminários de pesquisa, identificação
de oportunidades de desenvolvimento de produtos, serviços
e metodologias, construção do ORDeM).
Finalmente, abre-se uma frente de incubação
de parcerias que poderão eventualmente conduzir à
elaboração de projetos, mantendo um diálogo
amplo e troca de informações básicas
com observadores e apoiadores, inclusive indivíduos
que se ofereçam como voluntários para possíveis
projetos nos vários campos temáticos. A geopolítica
cultural do SPiN implica parceiros em várias modalidades
e também o acompanhamento de “mudanças
de órbita” (de observador para associado ou
estratégico, etc.), assim como a organização
ou participação nos eventos de referência
(acadêmicos ou institucionais) no país e no
exterior.
Níveis de Gestão dos Projetos
Atividades de Ensino e Extensão (ORDeM, CMD)
Programas e projetos oferecidos e demandados pela comunidade.
Avaliação e Pesquisa sobre (1)
Coordenadores de projetos e pesquisadores associados avaliam
as experiências e produzem conhecimento sobre as várias
modalidades de produção de conhecimento na
rede.
Monitoramento e Crítica inter-pares sobre (2) -
Fapesp
Produção de relatórios e outras formas
de avaliação qualitativa e quantitativa como
parte do processo de monitoramento e crítica pela
Fapesp.
Eixos de Estruturação de Projetos Incubados
Os projetos incubados na rede SPiN organizam-se em 5 eixos
temáticos, classificados por 3 modalidades ou etapas
de incubação e sujeitos a 4 níveis
de gestão, como detalhado a seguir.
Eixos Temáticos dos Projetos Incubados
1. Sociedade: telecentros, infocentros, EICs
2. Educação: escolas, museus, parques
3. Economia: emprego e empreendedorismo
4. Biopolítica: direitos humanos, saúde pública
e ambiental
5. Linguagem e Geopolítica Cultural: certificação
e alianças estratégicas
(nacionais e internacionais)
Etapas de Incubação
1. Projetos estratégicos
2. Projetos associados
3. Projetos Potenciais (Observadores e Apoiadores)
Níveis de Gestão dos Projetos
1. Atividades de Ensino e Extensão (ORDeM, CMD)
2. Avaliação e Pesquisa sobre (1)
3. Monitoramento e Crítica inter-pares sobre (2)
- Fapesp
Sociedade
O programa Gestão de Mídias Digitais representa
a experiência mais avançada da Cidade do Conhecimento
na incubação de projetos sociais estruturados
por monitores e lideranças associados a telecentros,
infocentros, EICs (escolas de informática e cidadania)
e outras ONGs. Formaram-se no programa 5 coalizões
temáticas e foram apresentados 10 projetos ao final
do primeiro ciclo. Como parte do período de pós-incubação,
a Cidade está promovendo o “roadshow”
desses projetos nos eventos CONIP e COMDEX em 2003.
A mobilização das redes de acesso público
à internet que integram políticas de inclusão
digital para a formação de projetos em parcerias,
mediados pela universidade pública, é um dos
espaços estratégicos em políticas de
capacitação e treinamento em grande escala
e representam uma fronteira estratégia da educação
pública e gratuita. É um espaço com
identidade e autonomia locais que favorece a elaboração
de projetos relevantes no contexto, “empoderando”
os cidadãos.
Educação
Entrando em seu terceiro ano de atividades, o programa
Educar na Sociedade da Informação propõe
um modelo de experimentação permanente com
a pedagogia por projetos como via de acesso, capacitação
e alfabetização digitais de professores e
alunos do ensino médio e fundamental. A interação
com a rede escolar ganhará, no SPiN, um adensamento
provocado pela integração de museus (MAC,
MIS, MAM e Paço das Artes) e parques (Parque Estadual
das Fontes do Ipiranga, Parque Fernando Costa, Parque do
Zizo/Juréia).
A experimentação no campo das práticas
pedagógicas alavancadas por mídias digitais
interativas gera um acervo significativo de conteúdos
didáticos, contribuindo para a ampliação
do conteúdo educacional e cultural de qualidade e
em português na rede mundial. O campo desse programa
amplia-se gradativamente para também acomodar as
demandas de educadores, em número crescente, que
atuam em organizações não-escolares
como ONGs, universidades corporativas, sindicatos, empresas
privadas e movimentos sociais.
Economia
Os efeitos das novas tecnologias de informação
e comunicação sobre o empreendedorismo e a
empregabilidade são o eixo estruturante da incubação
de projetos mais diretamente associados à economia
e à administração de empresas.
O Dicionário do Trabalho Vivo, financiado pela Secretaria
de Emprego e Relações do Trabalho, é
um primeiro experimento de criação de um ambiente
virtual de colaboração entre estudantes (ensino
médio) e trabalhadores (empregados, desempregados,
aposentados) para a produção de conhecimento
(sobre o próprio mercado de trabalho). A iniciativa
SebraeCidade, patrocinada pelo SEBRAE-SP, levou para áreas
de baixo desenvolvimento em São Paulo uma rede de
apoio ao desenvolvimento local alavancado por TICs (Zonas
Sul e Leste da Capital, Iguape e Rosana).
No SPiN, a estruturação de projetos de apoio
a empresas nas incubadoras paulistas constituirá
uma frente de expansão de conteúdos e demandas
que serão veiculadas pela rede mais ampla. A aproximação
entre os projetos incubados nas redes sociais e as iniciativas
de empreendedores trará também efeitos de
realimentação (criação de mercados
e oportunidades de emprego). Como já sublinhado,
a pesquisa e a experimentação com modelos
de incubação e de financiamento a projetos
será uma atividade essencial do eixo temático
“econômico”.
Biopolítica
As questões relativas ao controle do corpo, do espaço,
da vida e do meio-ambiente caracterizam um amplo campo relativamente
novo no horizonte das ciências sociais e podem ser
resumidas na idéia de uma “biopolítica”.
O direito à qualidade de vida, por exemplo, está
implicado nas pesquisas e políticas de combate à
desnutrição. Outros direitos humanos fundamentam
a pesquisa e o combate à violência, à
poluição ambiental, ao cerceamento da opinião,
ao preconceito sexual, etc., com destaque específico
e ao mesmo tempo transversal para o direito à comunicação.
Os projetos no campo da biopolítica experimentam
novas práticas e produzem críticas às
práticas vigentes. O Grupo de Estudos da Desnutrição
do IEA-USP associa-se ao SPiN para a pesquisa conjunta sobre
formas de aperfeiçoamento das políticas de
combate à desnutrição por meio das
tecnologias de informação e comunicação.
O Núcleo de Estudos da Violência da USP, o
Laboratório de Antropologia da Imagem e a Cátedra
Unesco sobre Mulher, Ciência e Tecnologia integram
também a rede de projetos que constitui o eixo temático
“biopolítico” no SPiN.
Linguagem e Geopolítica Cultural
A geopolítica da rede integra a agenda da Cidade
do Conhecimento desde sua fundação, com o
apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia
no âmbito de uma política externa com ênfase
no fortalecimento do pólo ibero-americano em geral
e do Mercosul, em especial. O exercício da geopolítica
ocorreu nos últimos 24 meses em vários níveis,
tanto no campo da própria língua e da linguagem
quanto no das fronteiras disciplinares, epistemológicas
e institucionais:
- negociação de “fronteiras”
epistemológicas e de convênios de cooperação
com unidades, laboratórios, núcleos, coordenadorias,
pró-reitorias, programas de pós-graduação
e entidades sindicais da própria Universidade de
São Paulo,
- negociação de “fronteiras” entre
linguagens, mídias, modalidades de uso e desenvolvimento
de software (livre X proprietário),
- negociação de parcerias com Unicamp, Unesp,
Paula Souza, PUC-SP, Católica de Santos e Univap,
- negociação de contratos de prestação
de serviços com secretarias de Estado, ministérios,
fundações, agências de fomento à
pesquisa no país e no exterior, empresas e organizações
do terceiro setor,
- participação no desenho e implementação
do Prêmio CONIP, certificação de qualidade
com alcance nacional,
- negociação de convênios com redes
em 10 estados (Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina,
Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Sergipe, Bahia,
Rio Grande do Norte e Distrito Federal)
- participação do diretor acadêmico
e de pesquisadores da Cidade em consórcios de pesquisa,
eventos, congressos e seminários na Ásia,
União Européia, EUA, Canadá e América
Latina.
O resultado dessa intrincada e intensa atividade que se
volta à política de desenvolvimento da própria
rede na USP, no Estado, no país e no mundo é
uma agenda de projetos realizados em comum e sobretudo a
inserção das suas atividades no contexto maior
das pesquisas de ponta sobre o tema em todo o mundo. Especialmente
notáveis são as seguintes associações
já implementadas ao longo do primeiro ciclo de atividades
da Cidade do Conhecimento:
- Cadeira de Inteligência Coletiva do Canadá,
coordenada por Pierre Lévy e contando ainda com a
presença de pesquisadores da PUC-SP e da Universidade
Federal da Bahia,
- Rede e-Quality, Infonomics Institute, Maastricht, Holanda,
- Cepal-ONU,
- ThinkCycle, Media Lab, MIT
- Graduate School of International Corporate Strategy, Hitotsubashi
University, Japão
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XI. Transparência e Disseminação
de Conhecimento
O Observatório do SPiN hospedará Documentação,
Pesquisa e Desenvolvimento bem como procedimentos de Avaliação
(interna e externa). Ele também será uma fonte
importante de informações e fundação
para Criação e Distribuição
de Conhecimento e de Mídia do SPiN. A avaliação
será um resultado chave do projeto, não uma
atividade secundária. Cada iniciativa terá
uma parte de avaliação completamente inserida
em sua entrega para auxiliar tanto no controle de qualidade
quanto na aprendizagem. A transparência é o
princípio fundamental propulsor do projeto e deverá
ser o melhor ingrediente da boa governança da rede.
Embora sempre uma boa política, a transparência
neste projeto é de suma importância. Há
muitas partes envolvidas no apoio, suporte e promoção
da rede. Consequentemente, o êxito deste projeto depende
muito de uma parceria cooperativa de todos os investidores
com base na confiança. O sistema de avaliação
descrito acima é especificamente feito sob medida
para ajudar a assegurar que esta meta crítica da
parceria seja atingida. A disseminação do
conhecimento é um componente intrínseco do
processo de avaliação. Entretanto, reconhece-se
também que muitas das lições aprendidas
e dos resultados desse projeto exigem iniciativas específicas
de transferência de conhecimento e a produção
de mídias digitais. Assim sendo, as seguintes atividades
serão realizadas:
1. Tradução para o Inglês e Publicação
On-line das Descobertas Chave
Uma seção especial para relatório
será montada no portal do projeto para fornecer Resumos
em Inglês de resultados contínuos e de lições
aprendidas que estão sendo publicadas no portal em
português.
2. Série de Workshops para discutir os Resultados
do Projeto
Três workshops serão realizados para discutir
os resultados dos projetos com os representantes da infoDev,
outros investidores chave, grupos-alvo e importantes representantes
da comunidade brasileira envolvidos em dar suporte a pequenas
empresas. Os workshops serão realizados no terceiro
(7-9 meses), quinto (13-15 meses) e último trimestres
(22-24 meses) do projeto.
3. Relatório Independente Interino e Final
Relatórios abrangentes e muito rigorosos serão
emitidos à infoDev trimestralmente. Estes relatórios
serão produzidos em parceria com pesquisadores e
especialistas externos de primeira linha do Brasil e do
exterior. Estes profissionais estarão engajados no
início do projeto e atuarão como um órgão
independente, com quem serão discutidas idéias
antes de se chegar a uma decisão e com autoridade
para elaborar os relatórios. Os relatórios
emitidos por estes pesquisadores e especialistas auxiliarão
não somente para mostrar uma visão independente
e fornecer informações importantes à
equipe do projeto, mas também como parte fundamental
da estratégia de disseminação global
dos resultados do projeto e das lições aprendidas.
4. Facilidade de Produção e de Gestão
da Mídia Digital
A Produção e a Gestão de Mídias
Digitais serão apoiadas pela IBM com a doação
de workstations para a Cidade do Conhecimento e a participação
conjunta de 10 laboratórios de computação
de alto desempenho e de processamento de mídias digitais
da Universidade de São Paulo e de parceiros, tais
como:
• LARC, (Laboratório de Arquitetura de Rede),
POLI-USP,
• LSI, (Laboratório de Sistemas Integrados),
POLI-USP
• Laboratório de Antropologia e Imagem, FFLCH-USP
• Laboratório de TV Digital da Escola do Futuro
• Instalações de Mídia e Marketing
do CIETEC
• CCE, Centro de Computação Eletrônica,
USP
• CCS, Centro de Comunicação Social,
USP
• Laboratório Multimídia da Escola de
Comunicação e Arte, ECA-USP
• Laboratório de Ensino à Distância
da Fundação Vanzolini, POLI-USP
• Laboratório de Mídia Digital da Cidade
do Conhecimento, IEA-USP
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XII. Propriedade Intelectual
O SPiN reconhece e subscreve princípios de compartilhamento
e disseminação de conhecimento com o objetivo
de aprimorar e disseminar a fácil replicação
de projetos bem sucedidos. A Universidade de São
Paulo disponibilizará o máximo de resultados
dos projetos incubados em regime de domínio público
após acordos específicos com cada parceiro
da rede.