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O
presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, fez do combate à fome sua
prioridade. Logo surgiu o debate sobre a existência ou não de fome no
Brasil. É um bom momento também para lembrar o refrão do sucesso da
banda Titãs: a gente tem fome de quê? A fome de conhecimento está em
que nivel de prioridade?
Num país submetido a desigualdades tão extremas, o início daqui a
poucos meses de um governo tão claramente identificado à luta contra a
exploração e à injustiça coloca os defensores de políticas de inclusão
social por meios digitais numa posição delicada. Numa economia submetida
aos rigores da desvalorização cambial, qual a sustentabilidade de uma
estratégia de inclusão cuja infra-estrutura é tão dependente de
insumos importados, como no caso das tecnologias de informação e
comunicação?
Não há respostas simples a essas questões. A inclusão digital
terá o seu lugar, mas o crucial diante desses desafios é aperfeiçoar os
critérios e mecanismos de gasto público em políticas de inclusão
digital.
Quais os resultados efetivos já alcançados? Que benefícios pode-se
estimar no médio e longo prazos? E como comparar os custos do
investimento necessário para chegar lá aos custos e benefícios de
outros programas sociais e estratégicos não apenas para o governo
federal mas também para governos estaduais e municipais?
Faltam indicadores,
falta debate e falta informação sobre as políticas de
desenvolvimento da sociedade da informação no Brasil. É um tema para o
poder
público mas também para as instituições de pesquisa e universidades.
Para acompanhar e contribuir com o debate, a Cidade do Conhecimento
consolida neste ano importantes parcerias acadêmicas no país e no
exterior. Destacam-se os projetos com o Media Lab do MIT, cujo simpósio
ocorrerá no final de novembro em Bangalore, na Índia, e com a
Universidade do Porto, no âmbito do consórcio formado para preparar uma
proposta ao programa @lis da União Européia. No país, o projeto
SebraeCidade está propiciando uma aproximação ainda maior com o sistema
de educação, ciência e tecnologia do Estado de São Paulo, destacando-se
a participação da Fundação SEADE, do IPT, do CIETEC e da rede Paula
Souza/FATECS.
Observa-se portanto que a USP participa e contribui decisivamente para
estimular a formação de redes entre instituições de ensino e pesquisa
e organizações da sociedade civil e do poder público, sempre com uma
perspectiva ao mesmo tempo interdisciplinar e interinstitucional.
A gente tem fome de quê?
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