Uma rede com jogos que premiam os jogadores mais criativos na busca de caminhos para transformar o mundo. São créditos em moedas virtuais com a marca da USP e da rede internacional “Games for Change”.

Em parceria com empresas privadas, agências de pesquisa, universidades e núcleos de pesquisa da USP, o grupo de pesquisa “Cidade do Conhecimento” celebra 10 anos de representação da “Games for Change” na América Latina com um cardápio de desafios ou “Challenges”.

A prioridade são estudantes de escolas públicas (idades de 10 a 21 anos) em territórios vulneráveis, especialmente nas periferias das grandes cidades, a partir da criação de um fundo de criptomoedas (ou “moedas virtuais”, a exemplo do “bitcoin”) que vai premiar os jogadores mais criativos e participativos.

O sistema de “cotas criativas” reserva 80% do novo FMI (Fundo Monetário Inteligente) para estudantes pobres, negros, em escolas públicas periféricas (baixo rendimento em exames como ENEM) ou que se identificam a coletivos de direitos humanos e cidadania (por viés de gênero, etnicidade, necessidades especiais e deficientes, imigrantes ou refugiados), assim como jovens infratores em situação de privação da liberdade.

O primeiro desafio vai propiciar recompensas e prêmios em WiBX, uma criptomoeda que já está em circulação, vale cerca de 5 centavos de real e já é aceita em vários estabelecimentos comerciais. A prioridade no projeto, entretanto, é motivar os jogadores a gastar suas moedas virtuais em atividades, produtos e serviços oferecidos pelos próprios participantes da rede. “É uma rede alinhada aos princípios da diversidade cultural, da economia circular e da inclusão digital”, explica Gilson Schwartz, criador da “Cidade” e do conceito de “iconomia” (ou economia dos ícones digitais, que demandam novas competências e abrem novos horizontes de valor).

Na prática, as crianças e jovens que jogarem e criarem jogos pela transformação poderão gastar imediatamente as criptomoedas no mercado, mas também podem optar por estimular o adensamento da própria rede, a “UAIFAI” ou “Universidade Aberta à Imaginação, à Fantasia e às Artes da Invenção”. O projeto tem recebido apoio das Pró-Reitorias de Graduação, Pós-Graduação, Cultura e Extensão, Pesquisa e do Instituto de Estudos Avançados por meio de editais e seminários desde 2017.

 

WiBX no Festival G4C América Latina Online

A UAIFAI tem como prioridade engajar crianças e jovens para alcançar metas mais ambiciosas – por exemplo, colocar um projeto de jogo transformador no “Pitch for Change”, uma mistura de “game jam” com “reality show” em tempo real onde serão selecionados os melhores jogos para lançamento mundial pela rede “Games for Change” em 2021.

Para chegar lá, além de ser criativo é preciso poupar. Com WiBX será possível também pagar por oficinas, cursos, serviços de game design e eventos durante o VIII Festival Games for Change América Latina Online, de 10 a 15 de novembro. O Festival será totalmente on-line com participação presencial em grupos apenas em condições sanitárias adequadas e validadas pela direção das escolas e outras organizações que desejem participar.

O evento reunirá estudantes, educadores, pesquisadores e empreendedores voltados ao mercado emergente de jogos com causa ou jogos de impacto comportamental transformador, cada vez mais usados também como instrumentos inovadores de políticas sociais, de desenvolvimento humano ou territorial. É a “gamificação” que avança com o 5G e a necessidade de novos fatores, inclusive emocionais, para superar a tríplice crise atual: sanitária, financeira e de valores.

O “game design” dos jogos que serão oferecidos pela plataforma digital UAIFAI estará alinhado a sete valores fundamentais: justiça, paz, empatia, solidariedade, amor, diversidade e empreendedorismo.

 

Um novo FMI

O Fundo de Moedas Inteligentes (FMI) é um instrumento criado pelo grupo de pesquisa “Cidade do Conhecimento” da USP para abrir fronteiras para o empreendedorismo na economia criativa impulsionada por inovações financeiras digitais com impactos transformadores e sustentáveis.

Para participar dessa plataforma que estimula redes sociais formadas a partir de jogos, eSports,  atividades lúdicas e transmídias imersivas voltadas à transformação criativa e sustentável, basta o registro de cada participante na nuvem de dados da “Cidade do Conhecimento” da USP, que gerencia a rede UAIFAI. O projeto integra ainda o programa PRINT da CAPES na USP, em parceria com o King´s College de Londres e as universidades Coventry e Warwick, na Inglaterra.

O coordenador da rede, Gilson Schwartz, representa a rede “Games for Change” na América Latina desde 2010, é Professor Livre-Docente do Departamento de Cinema, Rádio e TV da Escola de Comunicações e Artes e do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar Humanidades, Direitos e Outras Legitimidades da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas.

O projeto de uma cidade feita com alegria e amor ao conhecimento mas construída por todos é um eco de ideais antigos de cidadania e ética, mas a monetização criativa de games tornou-se possível apenas depois da convergência entre computação em nuvem, “blockchain” e “gamificação”. Trata-se de uma rede complexa que vai mostrar todo o seu potencial com a chegada do 5G num momento de desafios inéditos de inclusão digital para o desenvolvimento social e econômico sustentável”, destaca Schwartz na contextualização da UAIFAI.

Academicamente, o projeto recebeu nos últimos anos apoios do Instituto de Estudos Avançados (Programa Sabático), Pró-Reitoria de Pesquisa (Seminário Estratégico), Pró-Reitoria de Pós-Graduação (CAPES PRINT), UNESCO (MIL CICKS) e Fapesp-BritishCoucil (Researcher Links, programa que propiciou a aproximação com as universidades inglesas a partir de 2015). 

A pandemia tornou o projeto ainda mais relevante e pertinente, senão urgente. Fui obrigado a retornar de Londres ao Brasil em março, com apoio da CAPES e já a partir de abril todos os parceiros estavam realinhando estratégias e reagindo a essa megacrise com mais criatividade ainda”, ressalta Schwartz, que mantém uma coluna semanal, “Iconomia”, na Rádio USP e editará um informe quinzenal, “Iconomia Research”, para dar transparência aos resultados da UAIFAI e promover o debate em torno dos novos padrões de digitalização criativa pós-Covid19.

A inteligência desse FMI vai refletir tanto a dinâmica de gamificação de causas sociais, educacionais, culturais, artísticas e ambientais quanto a disposição das redes, causas, projetos e comunidades a compartilhar informação e por meio dessa troca estimular novas escalas de valor, o que vai contribuir para uma universalização da inteligência coletiva, criativa e sustentável, mediada e certificada pelas melhores universidades do mundo e publicamente monitorada e avaliada”, ressalta Schwartz.

 

O que é a moeda virtual “WiBX”

A WiBX foi a primeira moeda voltada exclusivamente às relações de troca entre marcas e consumidores do setor de varejo brasileiro e também a primeira no país listada no Mercado Bitcoin. Trata-se também de um passo importante na configuração futura do PIX, o novo sistema de pagamentos digitais brasileiro.

Nessa primeira fase (até novembro, quando acontece o VIII Festival Games for Change América Latina, que será totalmente online), o jogo em que serão obtidas recompensas e premiações em WiBX é “Purposyum, Desafios da Justiça”, um jogo analógico selecionado pela Organização das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) entre dez jogos em todo o mundo para integrar a campanha “Educação para a Justiça”.

Purposyum” foi criado por Schwartz em parceria com alunos da ETEC Parque da Juventude, assim como alunos de graduação e pós-graduação da USP em 2019 e sua primeira edição, impressa pela Reitoria da USP, tem 5 mil exemplares. Para receber uma caixa com as cartas, é preciso reunir pelo menos dez (10) jogadores com idade entre 10 e 21 anos, preferencialmente numa escola ou organização da sociedade civil.

Os “Desafios da Justiça” são apresentados em “Purposyum” como obstáculos a vencer para que a humanidade venha a ocupar espaços vitais fora do sistema solar. Para chegar nessa etapa mais elevada de integração com o cosmos, os jogadores representam planetas cujas comunidades precisam solucionar problemas como xenofobia, crimes de gênero, homofobia, intolerância ou fake news.

Escolas, entidades sem fins lucrativos, universidades e fundações privadas interessadas em participar dos “Desafios da Justiça” podem entrar em contato com a rede UAIFAI da Cidade do Conhecimento a partir de 10 de setembro para solicitar exemplares do jogo e participar do ciclo de atividades que culminará no Festival Games for Change América Latina Online (10 a 15 de novembro, todas as atividades ocorrerão online, colaborativamente).

 

Aula Magna com ABRAGAMES

A rede UAIFAI e os Desafios da “Games for Change” são inaugurados dia 10 de setembro na Aula Magna de uma nova disciplina no Curso Superior do Audiovisual da USP: “Produção de Games”.

O curso será totalmente online e aberto a interessados na certificação como ouvintes, inclusive alunos do ensino médio (as aulas serão semanais, das 9h ao meio-dia e acesso aos vídeos para todos os inscritos como ouvintes no curso).

O programa da disciplina começa com a discussão do próprio conceito de “ludicidade”. O tema será explorado pelo game designer, criador da eLudica e Diretor de Educação e Sociedade da Associação Brasileira da Indústria de Games (ABRAGAMES), Mário Lapin. Lapin ajudou a criar a “Games for Change” na América Latina em 2010.

O mercado brasileiro de games e mídias imersivas já mostra uma capacidade de resposta impressionante aos desafios da pandemia e da crise econômica. É fascinante pensar que a criatividade digital e lúdica venha efetivamente a contribuir para a superação de desafios muito reais hoje, como saúde, justiça e integração na diversidade”, aponta Lapin.

Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail

uaifainet01@gmail.com